Genética: a ciência do século

Drauzio – Você
que é uma mulher apaixonada pelo que faz, com um trabalho maravilhoso
de pesquisa, como vê o futuro da Genética?
Mayana Zatz – Acho que a Genética é
a ciência do século e conta com um potencial de crescimento
fantástico. Confesso que quando comecei a estudar Genética,
embora fosse apaixonada por essa área, não tinha a menor
noção de que pudesse desenvolver-se tanto. E a cada
dia me surpreendo mais. São fantásticas as perspectivas
de tratamento das doenças genéticas tanto por terapia
com células-tronco como por substituição de enzimas.
Saber que cada doença contará com uma estratégia
diferente de abordagem e tratamento é espetacular para quem
trabalha com genética e anteriormente fazia apenas cálculos
para levantar a probabilidade de uma pessoa apresentar mutação.
Hoje, não é preciso calcular mais nada. Um teste revela
se a mutação existe e o mais surpreendente que estamos
aprendendo agora é verificar que ela pode não ser determinante.
Às vezes, pessoas da mesma família com a mesma mutação
apresentam quadro clínico bastante diferente. Essa é
a razão de querermos entender por que, apesar de uma mutação
patogênica determinar a ausência de uma proteína,
algumas pessoas têm um quadro leve. Descobrir o que protege
essas pessoas vai indicar caminhos muito importantes para futuros
tratamentos.
Drauzio – Isso explica por que apenas um
dos gêmeos univitelinos, às vezes com 100% de identidade
genética, manifeste uma doença genética?
Mayana Zatz – O fator ambiental também
pesa e, quando se fala em ambiente, sabe-se que pode fazer diferença
até a posição do feto no útero materno.