Tipos de pílulas

Drauzio – Qual é a composição das pílulas
anticoncepcionais disponíveis atualmente no mercado?
José Aldrighi – Basicamente, existem dois grandes grupos
de pílulas anticoncepcionais. O primeiro é constituído
pelas pílulas que contêm dois hormônios femininos
sintéticos: o estrogênio associado ao progestogênio.
Além de bloquear a ovulação, essas pílulas
agem sobre o colo do útero, impedindo que dilate, como forma
de dificultar a passagem do espermatozóide para a cavidade
uterina, ou seja, elas fecham a porta de entrada do espermatozóide.
Além disso, agem no próprio útero evitando que
adquira as condições necessárias para acolher
o ovo.
O segundo grupo é formado pelas pílulas que contêm
só progestogênio. Essas agem sobre a hipófise
para bloquear a ovulação e provocam um fechamento mais
intenso do colo do útero para impedir a ascensão do
espermatozóide.
Drauzio – Quais as vantagens
dos hormônios sintéticos
com finalidade contraceptiva aplicados por via injetável?
José Aldrighi – Além de as associações
hormonais serem aplicadas por via injetável numa dose única
uma vez por mês, elas representam uma opção para
as mulheres com intolerância aos hormônios por via oral
e para as adolescentes, uma vez que com freqüência elas
se esquecem de tomar a pílula. Outra vantagem é que
ajudam a manter a privacidade, pois desobrigam as jovens de andar
com a cartela de comprimidos na bolsa.
O laboratório que fabrica a injeção também
fornece uma seringa com agulha pequena, que torna a aplicação
praticamente indolor e seu preço regula com o das pílulas
convencionais.
Drauzio – É mesmo comum ouvir as meninas dizerem: “Ah,
esqueci de tomar a pílula ontem. O que é que eu faço?”.
Qual é sua recomendação nesses casos?
José Aldrighi – O primeiro passo é o médico
mostrar-se grande amigo daquela cliente, a fim de estabelecer um
vínculo de confiança que favorece a conversa sincera
entre ambos. Depois, é preciso ser bastante didático,
ao expor quais são os métodos contraceptivos disponíveis
e as vantagens e desvantagens de cada um deles. Se a escolha recair
sobre a pílula anticoncepcional, é fundamental fazer
a moça entender como funciona o medicamento e a necessidade
de tomá-lo todos os dias para garantir sua eficácia.
O esquema é o seguinte: no primeiro mês, ela deve começar
a tomar a pílula no primeiro dia de sangramento menstrual
e seguir tomando por 21 dias seguidos, sempre no mesmo horário.
Depois faz uma pausa de 7 dias e recomeça a tomá-las,
seguindo a mesma orientação: toma por 21 dias consecutivos,
pára 7 dias, volta tomar 21, pára sete, e assim sucessivamente.