Pílulas anticoncepcionais
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Indicação no climatério
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Dr. José Mendes Aldrighi é médico, professor de Ginecologia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e chefe do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade São Paulo. Em co-autoria com André Arpad Faludi e Antonio de Pádua Mansur escreveu o livro “Doença Cardiovascular no Climatério” (Editora Atheneu).


Indicação no climatério

DrauzioAté que idade a mulher pode tomar a pílula anticoncepcional?
José Aldrighi – A partir dos 40 anos, a mulher entra numa nova fase da vida: o climatério, um período que se inicia mais ou menos nessa faixa de idade e se estende até os 65 anos. Em geral, entre os 40 e os 50 anos (por volta dos 50 anos ocorre a menopausa, isto é, a última menstruação), ela menstrua normalmente e pode engravidar. Por isso, pode valer-se da pílula contraceptiva desde que, não seja fumante, nem hipertensa (pressão alta) ou portadora de diabetes. As obesas e aquelas com antecedentes familiares de doenças cardíacas com morte abaixo dos 55 anos também não devem fazer uso da pílula anticoncepcional.
Essa é uma contra-indicação que merece ser enfatizada: quem tem um parente de primeiro grau (pai, mãe, irmão, por exemplo), cuja causa da morte antes dos 55 anos foi um problema cardiovascular deve abolir o uso da pílula como método contraceptivo.


Drauzio - Não havendo fatores de risco associados, como os que você acaba de citar, o uso da pílula anticoncepcional pode trazer benefícios para as mulheres nessa faixa de idade que vão além das vantagens contraceptivas. Você poderia explica-los?
José Aldrighi – Está provado que, além da ação contraceptiva, a pílula anticoncepcional protege as mulheres acima de 40 anos contra a perda de cálcio ósseo, ou seja, contra a osteopenia ou osteoporose.
Todos nós, homens e mulheres, construímos uma espécie de banco de cálcio desde a infância, que vai sendo incorporado aos nossos ossos à medida que nos alimentamos e fazemos exercícios. Quanto mais cálcio ingerirmos e exercícios fizermos, quanto menos fumarmos, maior será nosso capital reservado para consumo no futuro, quando a absorção desse mineral tiver diminuído.
Esse processo inexorável atinge mais as mulheres do que os homens. A partir dos 35 anos, quase todas começam a apresentar perda fisiológica de cálcio nos ossos. Em média, perdem 0,18% ao ano. Aquelas que acumularam uma reserva consistente, não sentem muito as conseqüências dessa perda. Não é o que acontece com as fumantes, por exemplo. Essas, a partir dos 35 anos, começam a perder o pouco que têm de massa óssea e evoluem para a osteopenia, se a carência for pequena, e para a osteoporose, se for acentuada.