Indicação no climatério

Drauzio – Até que idade a mulher pode tomar a pílula
anticoncepcional?
José Aldrighi – A partir dos 40 anos, a mulher entra
numa nova fase da vida: o climatério, um período que
se inicia mais ou menos nessa faixa de idade e se estende até os
65 anos. Em geral, entre os 40 e os 50 anos (por volta dos 50 anos
ocorre a menopausa, isto é, a última menstruação),
ela menstrua normalmente e pode engravidar. Por isso, pode valer-se
da pílula contraceptiva desde que, não seja fumante,
nem hipertensa (pressão alta) ou portadora de diabetes. As
obesas e aquelas com antecedentes familiares de doenças cardíacas
com morte abaixo dos 55 anos também não devem fazer
uso da pílula anticoncepcional.
Essa é uma contra-indicação que merece ser enfatizada:
quem tem um parente de primeiro grau (pai, mãe, irmão,
por exemplo), cuja causa da morte antes dos 55 anos foi um problema
cardiovascular deve abolir o uso da pílula como método
contraceptivo.
Drauzio - Não havendo fatores de risco associados, como os
que você acaba de citar, o uso da pílula anticoncepcional
pode trazer benefícios para as mulheres nessa faixa de idade
que vão além das vantagens contraceptivas. Você poderia
explica-los?
José Aldrighi – Está provado que, além
da ação contraceptiva, a pílula anticoncepcional
protege as mulheres acima de 40 anos contra a perda de cálcio ósseo,
ou seja, contra a osteopenia ou osteoporose.
Todos nós, homens e mulheres, construímos uma espécie
de banco de cálcio desde a infância, que vai sendo incorporado
aos nossos ossos à medida que nos alimentamos e fazemos exercícios.
Quanto mais cálcio ingerirmos e exercícios fizermos,
quanto menos fumarmos, maior será nosso capital reservado
para consumo no futuro, quando a absorção desse mineral
tiver diminuído.
Esse processo inexorável atinge mais as mulheres do que os
homens. A partir dos 35 anos, quase todas começam a apresentar
perda fisiológica de cálcio nos ossos. Em média,
perdem 0,18% ao ano. Aquelas que acumularam uma reserva consistente,
não sentem muito as conseqüências dessa perda.
Não é o que acontece com as fumantes, por exemplo.
Essas, a partir dos 35 anos, começam a perder o pouco que
têm de massa óssea e evoluem para a osteopenia, se a
carência for pequena, e para a osteoporose, se for acentuada.