Pílulas anticoncepcionais
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Dr. José Mendes Aldrighi é médico, professor de Ginecologia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e chefe do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade São Paulo. Em co-autoria com André Arpad Faludi e Antonio de Pádua Mansur escreveu o livro “Doença Cardiovascular no Climatério” (Editora Atheneu).


Contra-indicações

Drauzio Existem situações que o recomendável é fazer uma pausa na utilização da pílula?
José Aldrighi – Recomenda-se que a mulher suspenda o uso da pílula semanas antes de fazer uma cirurgia eletiva. Por exemplo, se marcou uma operação de vesícula ou cirurgia plástica, é aconselhável que deixe de tomar a pílula entre quatro e seis semanas antes da intervenção, porque a ingestão de estrogênio pode representar fator de risco para a formação de trombos. Essa recomendação é válida também para as mocinhas que vão extrair o dente do siso, para evitar a ocorrência de sangramento mais intenso.

Drauzio Essa é uma informação importante, visto que nessa idade muitas mocinhas precisam extrair esse dente. Você recomenda que quanto tempo antes de arrancar o siso elas parem de tomar a pílula?
José Aldrighi – De quatro a seis semanas. E não é somente nesses casos. Essa é a atitude mais prudente, quando decidem fazer uma cirurgia para reduzir ou aumentar o tamanho das mamas. Aliás, como essa operação é mais extensa do que uma simples extração do siso, o melhor é que só voltem a tomar a pílula quatro semanas depois da operadas.

Drauzio Resumindo: a orientação é que qualquer que seja o tipo de cirurgia, mesmo que seja uma simples extração do dente do siso, a mulher deve suspender o uso da pílula quatro semanas antes da intervenção e só retomá-lo quatro semanas depois. Fora isso, você não vê necessidade de prescrever períodos de descanso.
José Aldrighi – Exatamente, embora não haja base cientifica para a prescrição desses descansos. No entanto, existem situações em que somos obrigados a interromper o uso do hormônio imediatamente. Se a jovem apresentar dor de cabeça intensa sem nenhuma outra causa aparente, suspende-se a pílula anticoncepcional e acompanha-se a evolução do quadro. A mesma conduta é adotada quando aparecem alterações visuais, como a diplopia (visão dupla), ou a perda da visão lateral, para afastar a hipótese de estarmos diante de um problema vascular causado pela pílula.
Também tenho proposto a suspensão da pílula, quando a duração das menstruações diminui muito, porque há mulheres mais sensíveis ao hormônio nela contido. Por exemplo, antes de tomar a pílula, o período menstrual era de 5 dias. Depois, passou para um ou dois dias, ou a mocinha deixou até de menstruar. Esses casos requerem retorno imediato ao médico para acompanhamento e orientação.