Composição e efeitos colaterais

Drauzio – As primeiras pílulas
que surgiram eram muito diferentes das atuais?
José Aldrighi – As pílulas contraceptivas lançadas
em 1960 tinham doses altíssimas de hormônios. As atuais
contêm muito menos progesterona e estrogênio em sua composição.
Drauzio – Quais as conseqüências dessa alta dosagem
de hormônio existente nas primeiras pílulas anticoncepcionais?
José Aldrighi – Três anos depois do lançamento
no mercado, as mulheres começaram a apresentar alguns problemas
que foram atribuídos ao uso da pílula. O primeiro foi
o tromboembolismo. Em vista disso, um comitê na Inglaterra
achou por bem estudar o assunto para encontrar o que provocava essa
complicação e concluiu que estava associada à alta
dosagem de estrogênio.
O passo seguinte, então, foi pedir aos laboratórios
que reduzissem a quantidade de estrogênio nas pílulas
(as atuais contêm 20 microgramas de estrogênio; as produzidas
em 1960 continham 150 microgramas) e a incidência de trombose
caiu 25%.
Ao contrário das pílulas modernas que trazem até benefícios
para o útero, as produzidas na década de 1960 exerciam
um impacto negativo sobre esse órgão, que se refletia
na ocorrência maior de câncer.
Drauzio – Reduzir a quantidade de hormônio fez também
diminuir outros efeitos colaterais desagradáveis que algumas
mulheres apresentam quando tomam pílula?
José Aldrighi – O grande benefício que a pílula
representou na vida das mulheres foi a condição de
exercer sua sexualidade sem o ônus da gravidez, risco sempre
presente antes da década de 1960.
A redução dos níveis de estrogênio também
tornou possível controlar dois efeitos adversos das pílulas
de alta dosagem hormonal: o aumento de peso e a dor nas mamas. Hoje,
sabemos que elas promoviam inchaço e não propriamente
acúmulo maior de tecido adiposo. De qualquer forma, a baixa
dosagem de hormônios que entra na composição
das pílulas modernas faz a mulher inchar menos e, consequentemente,
ganhar menos peso.