Pílula pós-coital
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Falibilidade dos métodos contraceptivos
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José Mendes Aldrighi é médico, professor de Ginecologia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e chefe do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Em co-autoria com André Arpad Falud e Antônio Pádua Mansur, escreveu o livro “Doença Cardiovascular no Climatério” (Editora Atheneu).


Falibilidade dos métodos contraceptivos

Drauzio
– O que diz sua experiência de quase 30 anos a respeito da tabelinha para evitar a gravidez?
Jose Aldrighi – Aprendi muito cedo a aceitar os métodos contraceptivos que as pessoas preferem, mas respeito muito também os que estudei e cuja eficácia acompanhei durante anos e anos.
Todo mundo pensa que a pílula não falha. Falha, sim, entre 0,2% e 0,4% dos casos, mesmo que a mulher a tenha tomado direitinho. Isso quer dizer que, em cada mil mulheres, de duas a quatro engravidam, apesar da pílula. O mesmo acontece com a laqueadura: 0,1% das mulheres que passam pelo procedimento de amarrar e cortar as trompas engravida. Portanto, não existem métodos totalmente eficazes. Minha experiência mostrou, porém, que o índice de falhas da tabelinha é maior, está por volta de 25% a 30%.
Tenho observado também nesses quase 30 anos de profissão que muitos jovens ainda se valem do chamado “método primitivo” – o coito interrompido – para evitar a gravidez. Ao contrário do que se diz por aí, ele está longe de representar um procedimento tranqüilo e seguro. Além de a freqüência de falhas ser enorme, não oferece gratificação satisfatória para as moças e pode provocar distúrbios de ereção nos rapazes.

DrauzioAlguns casais utilizam o coito interrompido com preservativo. Antes da ejaculação, o homem interrompe a relação e coloca o preservativo. Essa seria uma solução contraceptiva para as pessoas que não estão infectadas por vírus ou bactérias que causam doenças sexualmente transmissíveis?
Jose Aldrighi – Vejo nessa técnica dois problemas. Primeiro, o homem precisa ser um indivíduo muito equilibrado para, num momento específico do exercício da sexualidade, interromper a relação para colocar o preservativo. Depois, porque não é pequeno o número de gestações que ocorre sem penetração. Ou seja, mesmo nas relações realizadas fora da vagina, o líquido prostático que o homem elimina contém espermatozóides capazes de fecundar o óvulo em 10% a 15% dos casos.

DrauzioEsse é um ponto que eu gostaria que você ressaltasse para esclarecer os adolescentes que estão iniciando a vida sexual.
José Aldrighi – Atendi vários casos de adolescentes que engravidaram sem penetração e, o mais surpreendente, até com as meninas usando calcinhas. Isso é uma prova de que os espermatozóides existentes no líquido seminal podem ultrapassar barreiras e chegar ao óvulo para fecundá-lo.
É preciso que os adolescentes tenham consciência e responsabilidade nessa hora e não se deixem levar pela busca inconseqüente do prazer. Mesmo quando não há penetração, é fundamental fazer uso do preservativo.