Falibilidade dos métodos contraceptivos

Drauzio – O que diz sua experiência
de quase 30 anos a respeito da tabelinha para evitar a gravidez?
Jose Aldrighi – Aprendi muito cedo a aceitar os métodos
contraceptivos que as pessoas preferem, mas respeito muito também
os que estudei e cuja eficácia acompanhei durante anos e anos.
Todo mundo pensa que a pílula não falha. Falha, sim,
entre 0,2% e 0,4% dos casos, mesmo que a mulher a tenha tomado direitinho.
Isso quer dizer que, em cada mil mulheres, de duas a quatro engravidam,
apesar da pílula. O mesmo acontece com a laqueadura: 0,1%
das mulheres que passam pelo procedimento de amarrar e cortar as
trompas engravida. Portanto, não existem métodos totalmente
eficazes. Minha experiência mostrou, porém, que o índice
de falhas da tabelinha é maior, está por volta de 25%
a 30%.
Tenho observado também nesses quase 30 anos de profissão
que muitos jovens ainda se valem do chamado “método
primitivo” – o coito interrompido – para evitar
a gravidez. Ao contrário do que se diz por aí, ele
está longe de representar um procedimento tranqüilo e
seguro. Além de a freqüência de falhas ser enorme,
não oferece gratificação satisfatória
para as moças e pode provocar distúrbios de ereção
nos rapazes.
Drauzio – Alguns casais utilizam
o coito interrompido com preservativo. Antes da ejaculação, o homem interrompe
a relação e coloca o preservativo. Essa seria uma solução
contraceptiva para as pessoas que não estão infectadas
por vírus ou bactérias que causam doenças sexualmente
transmissíveis?
Jose Aldrighi – Vejo nessa técnica dois problemas. Primeiro,
o homem precisa ser um indivíduo muito equilibrado para, num
momento específico do exercício da sexualidade, interromper
a relação para colocar o preservativo. Depois, porque
não é pequeno o número de gestações
que ocorre sem penetração. Ou seja, mesmo nas relações
realizadas fora da vagina, o líquido prostático que
o homem elimina contém espermatozóides capazes de fecundar
o óvulo em 10% a 15% dos casos.
Drauzio – Esse é um ponto que eu gostaria que você ressaltasse
para esclarecer os adolescentes que estão iniciando a vida
sexual.
José Aldrighi – Atendi vários casos de adolescentes
que engravidaram sem penetração e, o mais surpreendente,
até com as meninas usando calcinhas. Isso é uma prova
de que os espermatozóides existentes no líquido seminal
podem ultrapassar barreiras e chegar ao óvulo para fecundá-lo.
É
preciso que os adolescentes tenham consciência e responsabilidade
nessa hora e não se deixem levar pela busca inconseqüente
do prazer. Mesmo quando não há penetração, é fundamental
fazer uso do preservativo.