Indicação e dosagem

Drauzio – Como deve
ser administrada a pílula
pós-coital?
José Aldrighi – Estupro, ruptura de preservativo ou
coito num momento próximo da ovulação são
casos que justificam a indicação da pílula pós-coital
nas seguintes doses: tomar 2 comprimidos no período que vai
desde o momento da relação sexual até 72 horas
depois e mais 2 comprimidos doze horas mais tarde. São 4 comprimidos
ao todo, portanto.
Assim, a mulher que se encontra numa dessas situações
de risco deve procurar obrigatoriamente um médico antes de
completar as 72 horas para que ele possa prescrever-lhe a pílula.
A eficácia é quase de 100%, uma vez que cria condições
para apressar a menstruação e, com isso, impede que
a gravidez se instale.
Drauzio – Vamos admitir que a mocinha tenha
tido uma relação
no sábado à noite. Quais são as providências
que deve tomar?
José Aldrighi – Se a relação ocorreu no
sábado à noite e no domingo ela não conseguiu
entrar em contato com o médico, na segunda-feira precisa procurá-lo
para receber a orientação adequada. Ele vai prescrever-lhe
quatro comprimidos de uma pílula anticoncepcional comum. O
importante é que dois comprimidos sejam tomados o mais depressa
possível e, passadas doze horas, tome mais dois. A grande
maioria das pacientes responde a esse esquema com perda sangüínea
num prazo de 7 a 10 dias.
Drauzio – As moças costumam recorrer com freqüência
ao uso da pílula pós-coital?
José Aldrighi – Há muitos anos venho chamando
a atenção de que a pílula pós-coital
só deve ser utilizada numa emergência, não como
recurso anticoncepcional rotineiro. Sempre defendi sua indicação
nos casos de estupro, como forma de impedir que o sofrimento de uma
gravidez forçada viesse somar-se ao trauma e à violência
impingidos à mulher nesses casos.
Quanto às meninas que mantêm relações
sexuais com certa regularidade, essas devem procurar um médico
para receber a orientação necessária sobre o
uso da pílula ou de outro método contraceptivo adequado às
condições de seu organismo e faixa de idade.
Aliás, nesses casos, a Organização Mundial de
Saúde (OMS) recomenda a dupla proteção, isto é,
a pílula anticoncepcional para elas e o preservativo para
os meninos, a fim de protegê-las também contra a infecção
pelo vírus HPV (papiloma vírus humano), por exemplo,
que pode ser transmitido por via sexual e é responsável
pelo aparecimento do câncer de colo de útero. Às
vezes, as mulheres só descobrem tardiamente que são
portadoras desse vírus, quando vão fazer o exame de
Papanicolau.