Pílula pós-coital
O que é?
Indicação e dosagem
Atendimento no serviço público
Efeitos colaterais
Período fértil
Falibilidade dos métodos contraceptivos
Orientação às jovens


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José Mendes Aldrighi é médico, professor de Ginecologia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e chefe do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Em co-autoria com André Arpad Falud e Antônio Pádua Mansur, escreveu o livro “Doença Cardiovascular no Climatério” (Editora Atheneu).


Indicação e dosagem

Drauzio Como deve ser administrada a pílula pós-coital?
José Aldrighi – Estupro, ruptura de preservativo ou coito num momento próximo da ovulação são casos que justificam a indicação da pílula pós-coital nas seguintes doses: tomar 2 comprimidos no período que vai desde o momento da relação sexual até 72 horas depois e mais 2 comprimidos doze horas mais tarde. São 4 comprimidos ao todo, portanto.
Assim, a mulher que se encontra numa dessas situações de risco deve procurar obrigatoriamente um médico antes de completar as 72 horas para que ele possa prescrever-lhe a pílula. A eficácia é quase de 100%, uma vez que cria condições para apressar a menstruação e, com isso, impede que a gravidez se instale.

DrauzioVamos admitir que a mocinha tenha tido uma relação no sábado à noite. Quais são as providências que deve tomar?
José Aldrighi – Se a relação ocorreu no sábado à noite e no domingo ela não conseguiu entrar em contato com o médico, na segunda-feira precisa procurá-lo para receber a orientação adequada. Ele vai prescrever-lhe quatro comprimidos de uma pílula anticoncepcional comum. O importante é que dois comprimidos sejam tomados o mais depressa possível e, passadas doze horas, tome mais dois. A grande maioria das pacientes responde a esse esquema com perda sangüínea num prazo de 7 a 10 dias.

DrauzioAs moças costumam recorrer com freqüência ao uso da pílula pós-coital?
José Aldrighi – Há muitos anos venho chamando a atenção de que a pílula pós-coital só deve ser utilizada numa emergência, não como recurso anticoncepcional rotineiro. Sempre defendi sua indicação nos casos de estupro, como forma de impedir que o sofrimento de uma gravidez forçada viesse somar-se ao trauma e à violência impingidos à mulher nesses casos.
Quanto às meninas que mantêm relações sexuais com certa regularidade, essas devem procurar um médico para receber a orientação necessária sobre o uso da pílula ou de outro método contraceptivo adequado às condições de seu organismo e faixa de idade.
Aliás, nesses casos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a dupla proteção, isto é, a pílula anticoncepcional para elas e o preservativo para os meninos, a fim de protegê-las também contra a infecção pelo vírus HPV (papiloma vírus humano), por exemplo, que pode ser transmitido por via sexual e é responsável pelo aparecimento do câncer de colo de útero. Às vezes, as mulheres só descobrem tardiamente que são portadoras desse vírus, quando vão fazer o exame de Papanicolau.