Aceitação dos familiares

Drauzio – Como as famílias vêem o programa de cuidados paliativos? Por acaso entendem que os médicos assistentes estão lavando as mãos e entregando o paciente para a família e para uma equipe encarregada de cuidar dele enquanto a morte não chega?
M. Goretti Maciel – Depende muito de como o médico faz o encaminhamento. Quando ele entende bem a proposta dos cuidados paliativos, explica aos familiares que os recursos disponíveis para tratar a doença já não são suficientes e que encaminhará o paciente para ser atendido por uma equipe que lhe vai prestar os melhores cuidados possíveis. Quando as coisas correm assim, a família vê a situação com mais tranqüilidade. Às vezes, porém, fica muito assustada, com sensação de abandono e de quebra de vinculo com o médico que acompanhou o doente até aquele momento.
É função da equipe de cuidados paliativos ajudá-la a entender a evolução da doença e em que estágio o paciente se encontra. O simples fato de iniciar o atendimento faz com que a aceitação seja excelente.
No hospital, nosso serviço é dos que recebem mais elogios pela proposta de trabalho e tratamento que oferece. É interessante notar que, depois de algum tempo de instalada a enfermaria, as pessoas começaram a procurá-la espontaneamente. Muitas vezes, até mesmo durante o tratamento, o paciente pede ao médico que o encaminhe aos cuidados paliativos.
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