Opção difícil

Drauzio – Nem sempre as coisas correm assim. Às vezes, em casa é difícil controlar os sintomas desses doentes. O que é melhor para eles: morrer no hospital ou em casa?
Dalva Matsumoto – O melhor é que morram onde quiserem, desde que se ofereçam as condições apropriadas e profissionais preparados para dar-lhes assistência. As pessoas ainda procuram muito os hospitais para morrer porque a maioria dos serviços não consegue oferecer o apoio adequado para que a morte ocorra em casa ao lado das pessoas da família.
Com certeza, o modelo atual de hospitais não foi idealizado para receber esses pacientes, sobretudo as UTIs, que os afastam do convívio da família. O fato de estarem equipadas com aparelhos de alta tecnologia, às vezes, confunde os familiares que acreditam estar oferecendo o que há de melhor existe para o doente.
Se a tecnologia adquirida a partir da metade do século 20 ajudou muito nos tratamentos, em contrapartida distanciou um ser humano do outro. Os cuidados paliativos têm como meta usar a tecnologia para resgatar o lado humano que existe dentro do profissional de saúde e do indivíduo que ele cuida. Por isso, no HSPM, existe uma hospedaria (hospice, em inglês), à disposição dos pacientes terminais. Parecido com uma casa, com estrutura adequada para prestar assistência e horários maleáveis, não faz restrição quanto à presença dos familiares nem mesmo das crianças.
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