Resposta dos doentes

Drauzio – Como esses pacientes aceitam o que se passa com eles nessa fase final da doença?
M. Goretti Maciel – É importante ressaltar que todo doente percebe quando sua vida está chegando ao fim. Os sinais são muito claros: perde a mobilidade num dia; no dia seguinte, não consegue sentar-se, nem virar-se no leito e passa a depender de ajuda para realizar qualquer movimento. A sensação de fadiga se acentua muito, o apetite desaparece completamente e não adianta impor uma dieta artificial, porque ele não responde mais a nenhum tipo de tratamento (na verdade, deixar de alimentar-se no final da vida é providencial, pois faz o corpo produzir algumas substâncias que aliviam a dor e o desconforto). Mais um pouco, pára de ingerir líquidos, mas é possível mantê-lo hidratado usando técnicas leves e vias de acesso a medicamentos menos invasivas. Em medicina paliativa, usa-se muito medicação por via subcutânea.
Quando o quadro avança, podem surgir certa sonolência e confusão mental. Nessa fase, é comum os doentes verem coisas e se comunicarem com pessoas da família que, às vezes, já morreram. Gradativamente, porém, acabam perdendo a consciência e dormem a maior parte do tempo. Depois, ficam com o olhar fixo e perdido num ponto qualquer, deixam de perceber o mundo a sua volta e a morte toma conta deles com suavidade.
Nesse período, é importante ouvir o que têm a dizer, seus desejos e necessidades, e tranqüilizar a família. Há doentes que pedem para morrer em casa ao lado de determinada pessoa. É interessante atender a esse pedido. A melhor forma de abordá-los nessa fase é assegurar-lhes que não iremos abandoná-los, que sua família está ali e que desejamos que termine a vida com tranqüilidade.
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