Sintomas freqüentes

Drauzio – Um dos problemas mais freqüentes das pessoas em fase avançada de qualquer doença é a fadiga. Como a medicina paliativa atua nesses casos?
M. Goretti Maciel – A medicina paliativa preconiza que se deve sempre buscar a causa do sintoma para tentar minimizá-lo. A fadiga, por exemplo, pode ser determinada por anemia ou distúrbio metabólico passiveis de tratamento. Quando não se consegue combater a causa, existem drogas psicoestimulantes que podem ser indicadas, visto que tornam as pessoas mais dispostas, mais alegres, e melhoram um pouco a qualidade de vida no dia-a-dia.
Drauzio – As famílias, às vezes, se desesperam com a falta de apetite desses pacientes e tentam forçá-los a comer. Como vocês lidam com a anorexia?
Dalva Matsumoto – Paciente com doença avançada precisa de menor aporte calórico; portanto, é natural que coma menos. Além disso, o fato de estar em fase terminal também diminui a necessidade de alimentar-se. O importante, nesses casos, é observar as carências nutricionais daquele momento, a relação que estabelece com a comida e se há algum distúrbio – dor ou obstrução, por exemplo - que possa ser sanado ou minimizado. Se for só falta de apetite mesmo, existem alguns medicamentos que podem ser indicados para melhorar o quadro.
É muito importante que toda a equipe dê atenção aos familiares e discuta o problema da anorexia com eles. Num país como o nosso, onde a comida tem significado afetivo muito grande, é de se esperar que fiquem angustiados com a falta de apetite do doente.