Cuidados paliativos
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Dra. Maria Goretti Sales Maciel é médica, com formação em Medicina da Família e da Comunidade, presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos e coordenadora do programa de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo (SP).

Dalva Yukie Matsumoto é médica oncologista, coordenadora do programa de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) de São Paulo (SP).


Medicação

Drauzio Na minha opinião e de muitos outros médicos, o melhor analgésico que existe é a morfina. No Brasil, existe ainda muito preconceito quanto ao uso dessa droga, que não é encontrada em todas as farmácias e exige a apresentação de um receituário especial, aliás, condenado pela OMS. Como vocês vencem essa dificuldade no tratamento da dor?
Dalva Matsumoto – A maior dificuldade é realmente a mística que envolve a morfina. Tanto o profissional de saúde quanto o paciente e sua família ainda a vêem como o remédio indicado só em casos extremos, quando a pessoa está morrendo. Acham também que ela vicia e acelera o processo de morte.
Sem dúvida, cabe a nós, médicos, desmistificarmos a morfina. Ela é a melhor arma que temos para aliviar a dor de forma eficaz e se presta também para minimizar sintomas como os da dispnéia. Não basta, porém, preparar os profissionais para utilizar a morfina; é fundamental instituir políticas públicas de saúde voltadas para colocá-la à disposição daqueles que podem beneficiar-se com seu uso.
Nesse sentido, Dra. Goretti e eu realizamos um trabalho paralelo com o Ministério da Saúde, a fim de facilitar o acesso á morfina e desmistificar seu uso não só junto aos leigos como também entre os médicos.