Principais dificuldades

Drauzio – Na prática, quais os problemas mais freqüentes que vocês enfrentam?
Dalva Matsumoto – Em relação à assistência médica que oferecemos, os problemas mais freqüentes são o pouco treinamento que a grande maioria dos médicos especialistas tem para tratar a dor de forma adequada e abordar os outros sintomas desagradáveis que se instalam na fase avançada da doença crônica, e a falta de preparo para ajudar nas questões que envolvem a família, especialmente as de ordem emocional e espiritual.
Nossa equipe do Hospital do Servidor Público Municipal desenvolveu técnicas específicas para contornar a dificuldade de comunicação entre os médicos assistentes e o paciente. Não é que faltem informações. O problema é mesmo de comunicação. Às vezes, o médico acha que está sendo claro, mas a família e o doente não conseguem entender o que ele diz.
Drauzio – Você poderia descrever essas técnicas?
Dalva Matsumoto – O primeiro passo é ouvir o paciente, observá-lo como indivíduo que tem uma história, uma cultura, um nível de entendimento próprio para adequar a linguagem a seu grau de compreensão. Nossa equipe de trabalho é multiprofissional e cada membro deve estar atento a todas as características e condições daquele doente. Assim, se um dado qualquer escapar de um de nós acabará sendo notado por outro. Esse foi o modo que encontramos para enxergar o paciente e seus familiares como um todo, a fim de atender às necessidades desse núcleo de forma bastante personalizada.