Cuidados paliativos
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Assuntos relacionados ao tratamento do câncer






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Dra. Maria Goretti Sales Maciel é médica, com formação em Medicina da Família e da Comunidade, presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos e coordenadora do programa de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo (SP).

Dalva Yukie Matsumoto é médica oncologista, coordenadora do programa de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) de São Paulo (SP).


Área de atuação

Drauzio Como você define Cuidados Paliativos?
M. Goretti Maciel – Os Cuidados Paliativos foram definidos pela Organização Mundial de Saúde, em 1990, e recomendados para todos os países como parte da assistência integral ao ser humano. Consistem numa modalidade de assistência que cuida de doentes crônicos, cuja enfermidade está em progressão e ameaça a continuidade da vida.
O especialista em cuidados paliativos trata do doente e não mais de sua doença. Trata como? Olhando suas necessidades e sintomas não só do ponto de vista físico, mas também do ponto de vista emocional, social e espiritual. Estende, ainda, o olhar sobre a família e o cuidador durante o tratamento e presta-lhes assistência depois da morte, no período de luto.

DrauzioQuais são as doenças que mais se beneficiam com cuidados paliativos?
Dalva Matsumoto – Na verdade, os cuidados paliativos começaram na oncologia, mas hoje se estendem aos portadores de todas as doenças crônicas. Pacientes com diabetes, cardiopatias ou problema pulmonar crônico em estágio avançado se beneficiam quando recebem esse tipo de atendimento. No entanto, ainda hoje, os portadores de câncer em estágio avançado constituem a grande maioria que requer cuidados paliativos.

DrauzioÀ medida que a população envelhece, doenças neurológicas como Alzheimer e outras demências vão ficando mais freqüentes. Qual é o impacto dessa maior incidência no Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual?
M. Goretti Maciel – No HSPE, a maior demanda é a dos pacientes com câncer, porque têm necessidades mais agudas. Como nossa unidade ainda é pequena - tem apenas nove leitos –  cem doentes são atendidos em casa (infelizmente, fomos obrigados a limitar o número dos atendimentos).
Sabe-se, porém, que no contexto mundial para cada doente com câncer, há pelo menos dois com doenças neurológicas progressivas ou síndromes demenciais com necessidade de cuidados paliativos. Nós já atendemos alguns desses doentes, mas o fato de serem enfermidades de evolução muito longa, que às vezes demanda anos de atendimento, limita a atuação da equipe e eles acabam sendo atendidos mais pontualmente no final da vida.