Cristiano Zerbini é médico
reumatologista e trabalha nos hospitais Heliópolis e Sírio-Libanês
de São Paulo.
Formação da estrutura óssea Drauzio – Fale sobre a formação
da estrutura óssea do esqueleto humano. C. Zerbini –O osteoblasto é uma célula
que produz o osso. Existe outra célula, o osteoclasto, que é
responsável pela reabsorção do osso. O processo
se dá mais ou menos assim: o osteoblasto faz e o osteoclasto
retira a massa óssea. Até os 35 anos, construímos
nosso esqueleto. Para sermos mais exatos, até os 20 anos, 90%
do esqueleto estão prontos. Por isso, os adolescentes devem ingerir
cálcio, tomar sol e fazer esporte, pois isso lhes garante a formação
de ossos fortes. Dos 35 aos 45 anos, a relação entre as
células formadoras e as que reabsorvem o tecido ósseo
é equilibrada. Depois dos 45 anos, as células que destroem
o osso ficam mais ativas do que as que o recompõem e começamos
a perder parte de nosso esqueleto. Essa perda atinge mais ou menos 0,5%
ao ano, o que quer dizer que, em 10 anos, perdemos 5% de massa óssea
e, em 20 anos, 10%. Trata-se de uma perda fisiológica que a medicina
considera normal. Entretanto, mulheres após a menopausa, por
exemplo, podem apresentar um desgaste mais acelerado e, quando a perda
alcança 25%, está instalada a osteoporose. O osso fica
fraco e sujeito a fraturas. Perdas de 10% a 15% caracterizam a osteopenia.
Nesse caso, os ossos ainda não correm o risco de fratura. Pode-se
dizer, portanto, que o agravamento da osteopenia conduz à osteoporose.
Drauzio – O que representa o cálcio
para a formação do esqueleto? C. Zerbini – Cálcio é um elemento
fundamental para a formação do esqueleto. É recomendável
ingerir 1 grama , ou seja, 1000mg de cálcio por dia. Um litro
de leite tem 1000mg desse mineral. Pode ser leite integral ou desnatado,
tanto faz. Tirar a gordura do leite não modifica a quantidade
de cálcio nele contida.
Tomar um litro de leite por dia, porém, não é qualquer
um que consegue. Como incorporar, então, esses 1000mg necessários
na dieta diária? Um copo de leite, pela manhã, representa
250mg. Outros 250mg, retiramos dos alimentos que ingerimos nas demais
refeições. Os 500mg restantes podem vir dos outros derivados
do leite.
Uma fatia de ricota, de queijo branco ou um copo de iogurte fornecem
aproximadamente 250mg de cálcio cada um. Já o queijo tipo
suíço é muito mais rico nesse elemento. Portanto,
porções menores desse laticínio podem garantir
a quantidade adequada para a recomposição da estrutura
óssea.
Drauzio – Suponho que boa parte de nossa
população não consiga ingerir esses 500mg adicionais
necessários, não é? C. Zerbini – Estudo realizado por uma nutricionista
de nossa equipe revelou que, em média, a ingesta diária
da população de São Paulo contém entre 600mg
e 800mg de cálcio, bastante aquém do necessário,
portanto.
Drauzio – Isso pode significar um impacto
mensurável na incidência da osteoporose? C. Zerbini – Sem dúvida. Isso funciona
mais ou menos como uma caderneta de poupança. Quanto menos cálcio
ingerido até os 35 anos, menor a probabilidade de construir ossos
fortes, maior a de desenvolver osteoporose no futuro.