Por que o dente dói?

Drauzio – Qual é
a dor de dente mais comum?
José Tadeu - A dor de dente acaba sendo desconcertante,
porque ele é uma estrutura somática profunda que engloba
tecido ósseo, tecido dentário, ligamento rígido
e receptores que conduzem a enervação. Qualquer processo
inflamatório que comprima esses receptores pode provocar dor
sem que haja lesão no dente para justificá-la.
No entanto, a dor de dente mais comum decorre de uma lesão,
em geral a cárie, que afeta o nervo do dente, tecnicamente
chamado de polpa dentária. Como essa estrutura entra por um
forame minúsculo, o sangue que penetra no dente tem de retornar
pelas veias. Comprometimento desse retorno por causa do volume dos
vasos provoca compressão nas terminações nervosas
e dor latejante. Parece que o coração está pulsando
dentro do dente.
Drauzio – Quando a pessoa procura o dentista
por causa desse tipo de dor, ele fura o dente para reduzir o edema
e a inflamação.
José Tadeu – Até alguns anos
atrás, o comprometimento da polpa justificava um tratamento
radical. Abria-se o dente e removia-se a polpa. No entanto, a evolução
do processo inflamatório passa por várias fases. A primeira
caracteriza-se por dolorimento, por hiperemia, resultante de leve
aumento do volume dentro do canal. Progressivamente, pode ocorrer
uma lesão dos vasos chamada pulpite, ou seja, uma inflamação
da polpa dentária reversível (regride com o uso de antiinflamatórios)
ou irreversível. Neste caso, somos obrigados a abrir o dente
e remover o nervo, isto é, a polpa dentária.