Nicotina
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José Rosemberg é professor de Pneumologia. Um dos fundadores da Faculdade de Medicina de Sorocaba da Pontifícia Universidade Católica (SP), destaca-se no combate à tuberculose e ao tabagismo. Entre outras obras, em co-autoria com Marco Antônio Miranda e Ana Margarida Arruda Rosemberg, publicou “Nicotina – Droga Universal”.

Tratamento

DrauzioEm que consiste o tratamento para os fumantes?
José Rosemberg - Podemos contar com a reposição de nicotina e com os antidepressivos. Além disso, descobriu-se uma substância chamada Metoxalem, que tem a propriedade de decompor o gene CYP2A6 e, quando ele não é codificado, a tendência para fumar é menor. Estudos clínicos e em ratos de laboratório já provaram a eficácia dessa substância e espera-se de daqui a quatro ou cinco anos esteja à disposição no mercado. Além dessa há outra, a Nortriptilina, com ação semelhante, porém, menos intensa.
A grande esperança, porém, está na vacina contra a nicotina, que já tem nome – Nicvacs - e está na fase dois de pesquisa clínica. O processo de obtenção é mais ou menos o seguinte: liga-se a nicotina, que tem peso molecular muito baixo, a uma proteína de peso molecular alto. Fundem-se as duas. Prepara-se um anticorpo que reconhece essa junção e não atravessa a membrana cerebral. O indivíduo pode tragar que a nicotina não chega ao cérebro porque foi anulada pelos anticorpos.

DrauzioMas não fica a vontade permanente de fumar?
José Rosemberg – A vontade de fumar vai caindo aos poucos e, mesmo que não desapareça, a pessoa não sentirá prazer, porque a nicotina não chegará ao cérebro. Espera-se que daqui a dez anos ou um pouco antes, talvez, essa vacina esteja à disposição para ser comercializada.

Drauzio Será uma grande conquista…
José Rosemberg – Especialmente para os jovens, porque as campanhas educativas são absolutamente inócuas para eles. Não adianta chegar para um menino de 14 anos e dizer que terá um câncer aos 40, se continuar fumando. Ele se julga eterno e tem certeza de que essas coisas só acontecem com os outros. No entanto, se tomar a vacina contra o tabaco, a vontade de fumar irá diminuindo.
Na verdade, os pediatras têm importância fundamental nesse trabalho, porque crianças e adolescentes estão começando a fumar cada vez mais cedo. Os pediatras sabem que filhos de pais fumantes têm maior incidência de pneumonia, broncopneumonia, bronquiolite, amidalite, sinusite e de até surdez. Aconselhando os pais a não fumarem, eles estarão desempenhando papel importante na luta contra a epidemia tabágica pediátrica que estamos vivendo.