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Nicotina alcalina e nicotina ácida Drauzio – Professor, gostaria que o senhor explicasse o mecanismo de que se vale a nicotina para chegar ao cérebro. José Rosemberg – A nicotina pode ser alcalina ou ácida. A ácida é ionizada, não atravessa as mucosas da boca. Precisa percorrer a árvore brônquica até alcançar os alvéolos, onde o ambiente alcalino favorece sua alcalinização. Através dos pulmões, ela se difunde por todos os vasos e chega no cérebro. A absorção da nicotina alcalina, que não é ionizada, ocorre na boca e a droga é levada pelo sangue diretamente para o cérebro. Por isso, se enganam os fumantes de charuto e cachimbo que não tragam. Não faz diferença tragar ou não, uma vez que a nicotina atravessa as células da boca, vai para o sangue e chega ao cérebro do mesmo jeito. O grande segredo, portanto, para estimular o consumo da droga é utilizar nicotina alcalina, porque essa tem maior capacidade de penetração e gera maior dependência. Quem descobriu isso foi a Phillip Morris que adicionou amônia ao tabaco e produziu o cigarro Marlboro. O sucesso de vendas desse cigarro rico em amônia que liberava rapidamente a nicotina foi tão grande que essa empresa desbancou a British America Tobacco, da qual a Souza Cruz era a subsidiária brasileira, e assumiu a liderança mundial de vendas. Hoje, não é mais novidade. Todos os fabricantes adicionam elementos alcalinos à nicotina. Drauzio – Por que as pessoas fumam mais quando tomam álcool? José Rosemberg – A razão é simples. O álcool acidifica a urina. Essa acidificação faz com que a nicotina seja eliminada mais rapidamente porque ela não é absorvida pelos túbulos renais. Sem a droga, o fumante fica ansioso e acende outro cigarro. Por isso, quem fuma e toma álcool acaba fumando muito mais. |
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