Tratamento medicamentoso

Drauzio – Qual o tratamento
indicado para quem sofre de neuralgia do trigêmeo?
Cláudio Corrêa – Sou neurocirurgião,
mas sigo a regra da medicina que defende começar sempre pela
indicação do tratamento mais simples para todas as doenças.
Em se tratando de neuralgia do trigêmeo, o mais simples é
o tratamento medicamentoso e a primeira escolha recai sobre duas drogas
já consagradas no mundo todo (a carbamazepina e a oxicarbazepina)
e sobre a gabapentina, lançada mais recentemente. No início,
esses medicamentos podem ser administrados em doses menores, mas,
se necessário, elas poderão ser aumentadas progressivamente.
Costumo dizer a meus pacientes que nenhum tratamento é isento
de risco. Até água, em dose inadequada, pode matar.
Por isso, morre tanta gente afogada. Digo isso para ilustrar que é
preciso ter cuidado com todos os procedimentos utilizados. Nenhum
é perfeito. Embora esses medicamentos possam controlar, às
vezes por tempo longo, às vezes por toda a vida, a crise de
dor do paciente, é preciso pôr na balança os benefícios
e os efeitos adversos que o uso dessas drogas produz.
Drauzio – Quais são os efeitos colaterais
mais importantes?
Cláudio Corrêa – A neuralgia do
trigêmeo predomina na terceira idade. Às vezes, há
necessidade de ir aumentando progressivamente a dose de tal forma
que surgem efeitos colaterais. Doses muito elevadas desses medicamentos
que, em geral, são anticonvulsivantes, podem provocar desequilíbrio,
tontura, diminuição da capacidade de raciocínio.
De qualquer maneira, esse tratamento conservador costuma ser bastante
eficaz, mas requer avaliação periódica das condições
do paciente para aumentar as doses guardando margem de segurança.