Sintomas correlatos

Drauzio – Em medicina,
há uma série de distúrbios que provocam paralisia
em alguns músculos da face. Exemplo típico é
o que chamamos de desvio de rima. A pessoa fica com a boca torta.
Esses quadros podem ser confundidos com neuralgia do trigêmeo?
Cláudio Corrêa – O nervo responsável
pela mímica da face, aquele que a pessoa usa para sorrir, falar
e manter conservada a simetria, é o nervo facial, o sétimo
nervo craniano. O trigêmeo é o quinto nervo e está
essencialmente ligado à sensibilidade da face. É verdade
que o ramo mandibular possui uma porção motora responsável
pela enervação do músculo masseter da mastigação
que recebe suprimento nervoso motor e não sensitivo do nervo
trigêmeo. Por isso, lesão no nervo trigêmeo pode
provocar fraqueza na mastigação, mas não paralisia
facial. Paralisia facial envolve outro nervo craniano, o nervo facial.
Nas neuralgias do trigêmeo, durante um ou dois meses, a pessoa
pode apresentar certa fraqueza para mastigar alimentos duros, um pedaço
de carne, uma castanha, mas a mímica da face é preservada.
No entanto, quando o problema está associado a alterações
de outros nervos cranianos - um tumor que envolva o nervo trigêmeo
e o facial, por exemplo – além de dor, o paciente pode
apresentar desvio da rima bucal, comprometimento da motilidade do
olho e paralisia da face. Nesse caso, o diagnóstico inclui
um conjunto de sinais e sintomas que não se restringem à
neuralgia do trigêmeo.
Drauzio – Nas neuralgias do trigêmeo,
não há nenhum sinal visível. Há só
a sensação de dor lancinante?
Cláudio Corrêa – Pode ocorrer
também hiperemia. Durante a crise, o rosto fica vermelho no
lado afetado porque o nervo possui um componente sensitivo e um componente
neurovegetativo relacionado com a vasodilatação.
Outro dado importante para diagnóstico é a neuralgia
do trigêmeo nunca ser uma dor bilateral. Numa fase da vida,
ela pode atingir um lado, depois passar para o outro, mas nunca se
manifesta nos dois ao mesmo tempo. Às vezes, nos casos de esclerose
múltipla, tratamos de um lado durante anos e depois o paciente
apresenta a doença no outro lado da face.
Uma crise dos dois lados é considerada uma raridade, uma curiosidade
na medicina. Ao longo de minha vida profissional, tive a oportunidade
de encontrar apenas dois casos de neuralgia bilateral concomitante.