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Neuralgia do Trigêmeo
Características da neuralgia do trigêmeo
Evolução do quadro
Possíveis causas
Prevalência nos idosos
Histórico das crises
Gatilho das crises
Sintomas correlatos
Tratamento medicamentoso
Procedimentos cirúrgicos





Dr. Cláudio Fernandes Corrêa é neurocirurgião, responsável pelo Grupo de Dor do Hospital 9 de Julho de São Paulo e presidente do Instituto Simbidor.


Histórico das crises

Drauzio Você disse que o curso da doença é variável. Algumas pessoas podem apresentar várias crises num dia, ou ter uma crise e só depois um intervalo de tempo que pode ser longo, ter outra. Quais seriam os casos mais representativos da doença?
Cláudio Corrêa – Na minha experiência, o histórico mais comum é de pacientes que referem dor há mais de dez anos. No começo, as crises tinham menor freqüência diária, mas foram progressivamente aumentando, mas quase todos apresentam intervalos em que não houve manifestação da doença.

Drauzio Esses intervalos duram quanto tempo?
Cláudio Corrêa – O tempo varia muito. Pode haver meses ou anos de intervalo. O mais comum são os intervalos de semanas ou de poucos meses entre uma crise e outra. Intervalos de anos constituem as exceções.

Drauzio Há casos em que o episódio é único, dura alguns dias, desaparece e nunca mais volta?
Cláudio Corrêa – Como sou neurocirurgião, geralmente recebo pacientes triados, que já passaram por neurologistas e por clínicos e não responderam ao tratamento conservador. Pacientes que tiveram um episódio isolado dificilmente chegam ao meu conhecimento. Acredito que um episódio isolado, que dure alguns segundos, embora provoque dor violenta, como se um fio elétrico desemcapado tivesse sido encostado na face, assusta o paciente, mas ele raramente irá procurar um profissional. É claro que a repetição da crise várias vezes num dia e em dias consecutivos o obrigará a buscar ajuda.

DrauzioEsses episódios duram sempre apenas segundos?
Cláudio Corrêa – Essa é uma característica muito importante da doença. Às vezes, recebo no consultório uma pessoa dizendo que tem neuralgia do trigêmeo. Essa é uma das poucas ocasiões, na minha área, em que descrevo os sintomas da doença e deixo o paciente fazer o diagnóstico. Às vezes, ele ouviu falar que toda a dor na face é sinal de neuralgia do trigêmeo. Isso não é verdade.
Há várias outras causas para as dores na face. A neuralgia típica da face é uma dor constante que não segue o trajeto dos ramos do nervo trigêmeo. As disfunções da articulação temporomandibular podem até simular paroxicismo, um choque, mas provocam dor constante e a região fica sensível à palpação. Alterações na arcada dentária e alguns tumores raros também são causa de dor na face.
A neuralgia do trigêmeo tem esta característica: no intervalo entre uma crise e outra, mesmo que próximas, o paciente é absolutamente isento de sintomas. Ele tem a dor que dura segundos e não sente mais nada. O problema é que o intervalo entre uma e outra pode ser muito pequeno e, em alguns minutos, ocorrem vários episódios seguidos. Nesse caso, o paciente entra num estado de mal de crise.
A dor é tão violenta que o normal é ele dizer que dói sempre, dói demais para chamar a atenção do médico, mas na anamnese fica claro que se trata de uma dor que dura segundos. A proximidade entre uma crise e outra, porém, pode dar idéia de que se trata de um evento mais prolongado.

Drauzio Os doentes sempre levam a mão ao rosto quando vem a dor?
Cláudio Corrêa – Sempre levam e para isso existe explicação. Quando somos picados por um inseto, qual é nossa primeira reação? Esfregamos o local porque isso estimula uma fibra nervosa mais grossa chamada beta que inibe o fenômeno desagradável. Na neuralgia do trigêmeo, os pacientes têm essa reação reflexa: levam a mão, apertam, seguram e alguns declaram que, apertando a região, a dor alivia. Se o alívio é completo, não temos condição de afirmar. No entanto, já foi observado que, quando a dor é paroxicística, o paciente pressiona a região afetada.