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Sintomas Drauzio – Quais são os principais sintomas da mononucleose? João Mendonça – A febre é sintoma obrigatório da doença. O comprometimento de toda a garganta e da faringe é intenso, com formação de placas brancas e exsudato (líquido com alto teor de proteínas e leucócitos) que lembram as lesões da candidíase (sapinho) e da difteria, doença comum no passado, mas pouco freqüente hoje em dia. Os gânglios linfáticos avolumam-se, particularmente os do pescoço, e a infecção também pode provocar alterações no fígado e no baço. Característico da mononucleose, porém, é o enorme aumento do número de linfócitos no sangue e, o que é muito sugestivo, a aparência anormal que uma parcela deles adquire. São os chamados linfócitos atípicos que, detectados no hemograma realizado rotineiramente nas doenças infecciosas, valorizam a possibilidade de tratar-se de mononucleose infecciosa. Drauzio – O sinal de Hoagland também é um sintoma importante na mononucleose infecciosa. Você poderia caracterizá-lo? João Mendonça – As pálpebras superiores ficam inchadas, a fenda palpebral diminui, o que dá ao paciente a aparência quase de um oriental, com os olhos bem fechadinhos. Esse sintoma foi descrito pelo coronel Hoagland que o identificou em recrutas militares dos Estados Unidos. Drauzio – O exantema também faz parte dos quadros de mononucleose? João Mendonça – O exantema ocorre, talvez, em 8%, 10% dos casos. No entanto, essa taxa salta para 80%, 100%, se o paciente for erroneamente tratado com antibióticos, especialmente os do grupo da ampicilina e da amoxilina, até porque a garganta muito inflamada e a presença de exsudatos podem levar um médico menos avisado a confundir mononucleose com amidalite purulenta. Drauzio – Quer dizer que a ampicilina e a amoxilina disparam o aparecimento do exantema? João Mendonça – Disparam, de tal forma que usamos esse dado como indicação diagnóstica. Ou seja, o aparecimento de uma erupção cutânea importante num paciente com doença febril, supostamente com amidalite, depois que tomou amoxilina, tem peso para o diagnóstico de mononucleose infecciosa. Drauzio – Quais as características da febre nos quadros de mononucleose? João Mendonça - Em geral, fica por volta de 38º, 39º, mas há casos com hiperpirexia, em que a febre alcança 40º, mas essa não é a regra. Diferentes das doenças bacterianas, as doenças virais provocam febre contínua, que persiste por 24 horas, certamente com oscilações e elevação maior da temperatura no final da tarde e começo da noite. O normal é a febre desaparecer em cinco dias, uma semana, mas pode perdurar por semanas, mesmo que o paciente esteja tomando erradamente antibiótico, e isso preocupa os familiares e o doente. Drauzio – Em quanto tempo o quadro clínico deve regredir? João Mendonça - A regressão é lenta. O mal-estar e a indisposição levam algumas semanas para passar e os gânglios, um ou dois meses para retornarem ao tamanho normal. |
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