Meningite
Agentes infecciosos da meningite
Meningite viral
Meningite bacteriana
Diagnóstico e tratamento
Diferença entre as virais e as bacterianas
Vacina contra meningite
Pico de incidência
Seqüelas
Sinais de alerta





Dr. Esper Kallás, médico infectologista da Universidade Federal de São Paulo e do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, é um dos pesquisadores brasileiros mais envolvidos na busca da vacina contra AIDS.


Diferença entre as virais e as bacterianas


DrauzioExistem dois grandes grupos de meningite: as bacterianas capazes de produzir quadros gravíssimos e as virais, que têm apresentação benigna e evoluem independentemente do tratamento para a regressão completa em poucos dias. Como se estabelece a diferença entre as duas?
Esper Kallás – A diferença só pode ser estabelecida por um médico através de alguns exames especiais. O principal é a análise do líquido da espinha colhido na região lombar (na parte inferior da coluna) ou na nuca. A presença de pus nesse material normalmente cristalino indica infecção por bactéria, e a meningite (também chamada de purulenta por isso) exige tratamento agressivo.

DrauzioO que dá a certeza do diagnóstico é o exame do líquor. Muitas mães têm medo desse exame. Ficam impressionadas com a necessidade de introduzir uma agulha na espinha da criança.
Esper Kallás – Esse exame é absolutamente necessário e profissionais com experiência o realizam como se estivessem tirando uma amostra de sangue.

DrauzioVamos nos ater um pouco mais nas meningites bacterianas. A pessoa adquire a bactéria em geral pelas vias aéreas superiores. Mucosa nasal, amídalas, faringe. Na maioria das vezes, ela se assesta nesses órgãos e provoca uma infecção que é curada. Por que há casos em que ela se instala exatamente nas meninges?
Esper Kallás – Ainda está em estudo, mas parece que as três principais bactérias que causam meningite - meningococos, pneumococos e hemófilos – conseguem romper a divisão entre o aparelho respiratório e o sangue e têm a capacidade de alcançar o sistema nervoso e nele se instalar. Pode-se dizer, então, que elas têm afinidade pelo sistema nervoso.
Vale lembrar que, no dia-a-dia, entramos em contato com uma infinidade de bactérias, mas pouquíssimas com a propriedade marcante de migrar para o cérebro e causar meningite. Por isso, a maioria das pessoas não desenvolve a doença. Um caso, porém, de meningite meningocócica numa criança justifica a prescrição de alguns medicamentos para todas as pessoas que morem na mesma casa a fim de erradicar as bactérias que estejam eventualmente em sua respiração, já que as da meningite gostam de se alojar no trato respiratório.

Drauzio Os contactuantes devem ser medicados tenham sintomas ou não?
Esper Kallás – Dependendo do tipo de meningite, sim. No caso de meningite causada por meningococo, uma doença bastante grave, é preciso assumir que quem convive intimamente com o paciente pode ter adquirido a bactéria e por isso deve ser medicado.

Drauzio – Quando aparece um quadro de meningite numa escola, as mães ficam muito preocupadas e acham que as aulas deveriam ser suspensas.
Esper Kallás – Tudo depende do tipo de meningite. A meningite por meningococo, às vezes, exige erradicação em todas as crianças que conviveram com o doente. Já a meningite por pneumococo, por exemplo, não requer erradicação.
As regras variam muito, mas permanece o mito de que um caso de meningite num aluno requer que se suspendam as aulas e se feche a escola. Não é essa a melhor conduta a adotar.
O Estado de São Paulo possui um sistema de vigilância de casos de meningite bastante eficiente e um sistema de notificação bem montado.Todo caso de meningite, qualquer que seja sua causa, é de notificação compulsória, ou seja, o profissional ou a unidade de saúde que identificarem um caso da doença são obrigados a mandar uma ficha para o Centro de Vigilância Epidemiológica Estadual.

Drauzio - Como funciona esse serviço?
Esper Kallás - No site do CVE - www.cve.saude.sp.gov.br - podem ser obtidas as informações dos principais agravos de doenças transmissíveis em São Paulo, mês a mês, ano a ano.
Se houver grande aumento no número de casos em determinado mês que caracterize uma situação de epidemia, o serviço está preparado para instituir medidas mais drásticas, inclusive fechar as escolas por alguns dias. Essas situações de exceção quem identifica é o CVE. Medidas desproporcionais à gravidade da situação podem trazer enormes transtornos sem nada que os justifique.







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