|
|
|
|
||||||||
|
|
|
Efeitos colaterais da quimioterapia Drauzio – A quimioterapia é um tratamento que goza de má fama pelos efeitos colaterais que apresentava no passado. Qual a diferença na reação das mulheres de hoje e de 25 anos atrás a esse tratamento? S.Simon – A quimioterapia é um tratamento bastante potente e com vários efeitos colaterais impossíveis de evitar há 25 anos. Homens e mulheres que faziam quimioterapia naquela época passavam mal. Hoje, embora não seja um tratamento fácil, é bem mais tolerável e parcela significativa das pacientes submetidas à quimioterapia consegue manter boa qualidade de vida e continuar trabalhando em suas atividades normais, pois é possível evitar uma série de complicações, principalmente a náusea e o vômito, que perduravam por dias e deixavam as mulheres debilitadas ao extremo. Algumas podem sentir-se ainda um pouco mareadas por dois ou três dias, mas o resto do tempo não apresentam sintoma nenhum. Outro aspecto importante a considerar é que a quimioterapia diminui as defesas do organismo, porque, assim como mata as células tumorais, mata também os glóbulos brancos do sangue. Por isso, durante alguns dias, a contagem desses glóbulos baixa e a mulher fica mais sujeita a quadros infecciosos, às vezes, bastante severos. Atualmente, esse efeito colateral vem sendo contornado. Existe medicação para impedir que a queda de glóbulos brancos ocorra o que torna possível manter o sistema de defesa das pacientes em níveis adequados. Um efeito que não se conseguiu evitar, ainda, foi a queda de cabelos, mas o comportamento feminino mudou bastante em relação a esse fato. Talvez incentivadas por mulheres que aparecem na mídia com pouco ou nenhum cabelo e que de forma criativa mantêm-se bonitas, arrumadas e charmosas, a maioria está enfrentando o problema com mais tranqüilidade, porque sabe que se trata de uma situação passageira. O cabelo voltará a crescer, muitas vezes mais bonito do que era, segundo depoimento das pacientes. Drauzio – Há esquemas quimioterápicos que não fazem cair o cabelo e outros que provocam uma alopécia total. De qualquer forma, a resistência das mulheres era muito maior no passado a ponto de muitas declararem que preferiam abandonar o tratamento a perder os cabelos, não é? S.Simon – Hoje em dia, a queda de cabelos tem peso secundário. Eu, pessoalmente, noto que a preocupação diminuiu bastante. Repito que talvez a colaboração da imprensa e da televisão que veicularam imagens de mulheres conhecidas com perda temporária de cabelo por causa da quimioterapia tenha sido de fundamental importância para essa mudança de comportamento. |
||||||||