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Entrevistas:
Câncer de mama





Sérgio Simon é médico oncologista e trabalha no Hospital Albert Einstein.

Quimioterapia, radioterapia ou hormonoterapia


DrauzioQue aspectos pesam na escolha do tratamento do câncer de mama?
S.Simon – Considerando a idade da paciente e as características do tumor levantadas pelo patologista, hoje é possível saber quais são as mulheres com risco de recidiva. Examinando a peça cirúrgica, o patologista tem condições de fazer o diagnóstico e de testar a célula tumoral para uma série de fatores de risco. Ele pode dizer, por exemplo, se o tumor tem receptores hormonais ou não, o que nos dá idéia mais precisa da evolução da doença e da possibilidade de uma recidiva já que mulheres com receptores hormonais têm prognóstico um pouco melhor, enquanto as que não os possuem exigem sempre tratamento mais agressivo.
Com base nesses dados e levando em consideração a idade da mulher, o tamanho inicial do tumor, a presença ou não de gânglios com células tumorais nas axilas, depois da cirurgia monta-se um quadro de risco para a paciente que vai de 5% até 80% de possibilidade de ocorrer uma recidiva fatal e discute-se com ela as opções de tratamento: quimioterapia, radioterapia ou hormonoterapia.

Drauzio A radioterapia é um tratamento local que apenas protege o órgão que está sendo irradiado. Nas cirurgias conservadoras em que se retira uma pequena parte do seio, ela deve ser sempre indicada?
S.Simon – A radioterapia consiste em raios X de alta tensão que atravessam a mama e terminam por matar os focos de células malignas que não tenham sido extirpados cirurgicamente. Por isso, cirurgias conservadoras da mama são complementadas sempre por tratamento radioterápico. No entanto, se a radioterapia pós-operatória elimina o risco de recidiva na mama, não diminui o risco de a doença espalhar-se para os outros órgãos. Evitar que isso aconteça é o objetivo da quimioterapia, um tratamento com drogas que circulam pelo sangue e atacam as células malignas em sua fase microscópica e livre de manifestações clínicas em qualquer órgão que estejam: ossos, pulmão, fígado, etc. Os resultados do tratamento quimioterápico têm sido animadores, pois se consegue reduzir o número de recidivas de câncer e curar muito mais mulheres.