Câncer de mama – Epidemiologia e Prevenção
Aumento na incidência de câncer de mama
Fatores predisponentes
Menarca precoce e menopausa tardia
Obesidade e câncer de mama
Relação entre hormônio feminino e câncer de mama
População feminina de risco
Retirada preventiva da mama
Investigando a predisposição genética
Medidas preventivas
Mamografia: exame indispensável
Microcalcificações benignas e malignas
Presença de cistos mamários
Importância do ultra-som
Outros cuidados importantes
Relação entre número de filhos, amamentação e câncer de mama
Importância da investigação genética
Câncer de mama e implante de silicone
Reposição hormonal: prós e contras
Estilo de vida e câncer de mama


Entrevistas:
Tratamento do câncer de mama






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Sérgio Simon é médico oncologista e trabalha no Hospital Albert Einstein.

Retirada preventiva da mama


Drauzio - É para essas mulheres, uma porcentagem muito pequena diante do total de casos da doença, que se justifica a retirada preventiva das mamas?
S.Simon – Um trabalho na área da genética, iniciado no Hospital das Clínicas e agora realizado no Hospital Albert Einstein, procura localizar esses casos de mutação de genes e detectar, dentro das famílias, todas as pessoas portadoras dessa mutação. Para essas mulheres portadoras de mutação, mas que ainda não desenvolveram câncer de mama, uma das opções é realmente a cirurgia preventiva. Retiradas as glândulas mamárias, é feita uma reconstrução imediata das mamas como a realizada nas cirurgias estéticas. Para nossa surpresa, em alguns casos, sem que houvesse um diagnóstico anterior, foram encontradas lesões cancerígenas microscópicas nessas mamas de alto risco.

DrauzioPara essas mulheres, considerando um risco de certa forma teórico, não há de ser uma decisão fácil optar pela retirada do seio que ainda está normal?
S.Simon – Está comprovado que para essas mulheres o risco de câncer de mama aumenta muito a partir dos 30 anos e o de câncer de ovários, a partir dos 35 anos. Por isso, aconselha-se que tenham todos os filhos que desejarem e depois, por volta dos 35 anos, submetam-se a uma cirurgia de retirada dos ovários. Essa intervenção reduz a incidência de câncer de ovário em mais ou menos 90% e - descoberta relativamente recente - o risco de câncer de mama em 50%.
A retirada das mamas, ou mastectomia profilática, precisa ser muito discutida com a paciente. Apoiada por uma equipe de psicólogos que faz parte de nosso grupo, ela deve conversar com seus familiares e com o marido, enfim, com as pessoas que irão ajudá-la a decidir. Se optar pela cirurgia, trata-se de uma operação razoavelmente fácil e de bom prognóstico. Não é que o risco de câncer de mama desapareça por completo, mas ele baixa dos 80% iniciais para 1% ou 2%.