Câncer de mama – Epidemiologia e Prevenção
Aumento na incidência de câncer de mama
Fatores predisponentes
Menarca precoce e menopausa tardia
Obesidade e câncer de mama
Relação entre hormônio feminino e câncer de mama
População feminina de risco
Retirada preventiva da mama
Investigando a predisposição genética
Medidas preventivas
Mamografia: exame indispensável
Microcalcificações benignas e malignas
Presença de cistos mamários
Importância do ultra-som
Outros cuidados importantes
Relação entre número de filhos, amamentação e câncer de mama
Importância da investigação genética
Câncer de mama e implante de silicone
Reposição hormonal: prós e contras
Estilo de vida e câncer de mama


Entrevistas:
Tratamento do câncer de mama






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Sérgio Simon é médico oncologista e trabalha no Hospital Albert Einstein.

Importância da investigação genética


DrauzioQue orientação deve receber uma moça preocupada porque tem um parente de segundo grau com câncer de mama?
S.Simon – Ela recebe a orientação padrão dada a todas as mulheres que não fazem parte dos 10% que pertencem ao grupo de risco e não precisa fazer o teste de mutação genética: mamografia a cada dois anos após os 40 anos e anual depois dos 50 anos.

DrauzioEmbora a incidência de câncer de mama gire em torno de 10% na população em geral, algumas famílias apresentam maior número de casos, não é mesmo?
S.Simon – Isso de fato acontece. Às vezes, aparecem dois ou três casos de câncer de mama na mesma família sem que haja indicação de qualquer fator predisponente para a doença. Conheço uma família de imigrantes da Hungria em que cinco das seis irmãs tiveram câncer de mama. Essas mulheres foram amplamente estudadas e não foi encontrada nenhuma alteração nos genes que controlam esse tipo de câncer. Diante disso, só existem duas explicações: ou foi uma terrível coincidência, ou elas possuem um gene desconhecido que sofre mutação e as predispõe para o câncer de mama. É mais provável que a segunda hipótese seja a verdadeira.

Drauzio E as famílias que têm homens com câncer de mama?
S.Simon – Homens com câncer de mama sempre levantam a suspeita de mutação genética num dos dois genes já mencionados. Nesse caso, toda a família deve ser testada para verificar se realmente se trata de uma predisposição familiar.

DrauzioVamos imaginar um caso hipotético de uma mulher que teve câncer de mama aos 30 anos. Com que idade e freqüência a filha dessa mulher deve começar a fazer mamografias?
S.Simon – Se o caso da mãe for o único na família, a filha é considerada uma mulher de risco pouco elevado e deve seguir o padrão normal da indicação de mamografias. Se a família, porém, for muito pequena e não houver possibilidade de levantamento do histórico familiar - a mãe era filha única e a avó morreu cedo de causa desconhecida – é importante pedir-lhe o teste de mutação genética.

DrauzioMesmo que o teste dê negativo, mulheres que pertençam a famílias com mutação genética devem começar a fazer mamografia mais cedo?
S.Simon – Não. Mesmo nas famílias portadoras de mutação genética, com alto risco de câncer de mama, as mulheres que apresentam teste negativo correm o risco normal de 10% de contrair a doença.

DrauzioNa impossibilidade de obter o teste o que o médico deve fazer?
S.Simon – O aconselhamento torna-se muito difícil quando não se têm dados objetivos na mão. Se na família existem quatro ou cinco casos de câncer de mama, inclusive um homem, sobe para 90% a possibilidade de alterações genéticas naquele grupo familiar. Isso justifica tratar todas as pessoas daquela família como portadoras de mutação genética mesmo que não o sejam.
A propósito, acho interessante citar o caso de uma família paquistanesa aqui no Brasil que sigo desde 1990. São seis casos de câncer de mama em mulher e dois em homem. Antes mesmo de ter o teste de mutação genética à disposição, já se sabia que o resultado seria positivo. No entanto, um dos casos de câncer de mama ocorreu numa mulher com teste negativo, que não tinha mutação genética. Ela fazia parte dos 10% da população sem mutação genética que desenvolve a doença.