Experiência em outros países

Drauzio –Fale sobre a experiência
holandesa de legalização da maconha, porque na Holanda
pode-se fumar maconha em qualquer lugar.
Carlini – Na Holanda, você pode fumar
em qualquer lugar e existem free-shops, na verdade, centros urbanos
em que se chega de carro e se compra a droga tranqüilamente.
Isso acabou se transformando num problema sério na fronteira
da Holanda com a Alemanha, porque caravanas de outros países
se dirigiam a essas cidades atraídas pela facilidade de obtenção
da maconha.
Outro fato interessante é que, nos bares holandeses onde se
fuma maconha, são mal recebidos os usuários de outras
drogas, como cocaína ou heroína, por exemplo. Na verdade,
o ingresso dessas pessoas é praticamente proibido pela clientela
que freqüenta esses lugares. Além disso, como já
mencionamos, a mensagem de transformar o cigarro de maconha em medicamento
partiu do poder executivo.
Drauzio – Como você vê a situação
nos outros países?
Carlini – No Canadá, aconteceu o contrário.
O parlamento recomendou ao governo central não só a
descriminalização, mas também a legalização
da maconha, argumentando que ela faz menos mal do que o álcool
e o cigarro e que o judiciário está sobrecarregado atendendo
a enorme população de jovens usuários dessa droga
que ficam marcados por possuir uma ficha criminal.
Se a polícia, no Brasil, tivesse a mesma eficiência da
canadense, por exemplo, o número de prisões e processos
envolvendo usuários de maconha seria surpreendentemente assustador.
Levando em consideração que numa rave dance na periferia
de São Paulo – e esse não é o único
estado da federação em que isso acontece – milhares
de pessoas se reúnem para consumir ecstasy, pode-se concluir
que nossas estatísticas estão subestimadas. No entanto,
os profissionais que discutem essa realidade não têm
vivência prática para entender a magnitude do problema.
O parlamento peruano enviou recentemente para o executivo um projeto
legalizando o uso da folha de coca. O governo do Peru, incomodado
com a deliberação, comunicou-a às Nações
Unidas que vai ter de pronunciar-se sobre o assunto.