Questionando a metodologia

Drauzio – Você não acha que
do ponto de vista metodológico, esse tipo de trabalho científico
para provar a eficácia da droga fumada não tem paralelo,
porque a absorção é muito variável, depende
da profundidade da tragada, do tempo e da quantidade de fumaça
que permanece no pulmão? Por outro lado, quando se usa a maconha
em comprimido, que seria a forma de controlar a dose, sua absorção
é errática, varia muito de uma pessoa para outra.
Carlini – Você tem toda a razão,
tanto que o que está para ser aprovado e comercializado em
alguns países do mundo é o princípio ativo da
maconha, o THC. Já existe uma substância comercializada
por um laboratório americano, que se toma por via oral e cuja
concentração do princípio ativo pode ser controlada.
Entretanto, parece que essa não faz o mesmo efeito dos cigarros
de maconha. Talvez a explicação para tal resultado esteja
na superfície dos alvéolos pulmonares que mede mais
ou menos 80m2, o equivalente a área de uma quadra de tênis.
Conseqüentemente, a capacidade de absorção nessa
região deve ser imensa e justifica a administração
de vários medicamentos por inalação. Quanto ao
cigarro de maconha, a absorção dos componentes deve
variar muito porque depende de sua concentração na fumaça
que se aspira em cada tragada.

MEDICAMENTO A BASE DE MACONHA