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Sintomas da labirintite Drauzio – O que provoca a labirintite? Menon – A labirintite é uma doença que pode acometer tanto o equilíbrio quanto a parte auditiva. Os órgãos responsáveis pelo equilíbrio e pela audição estão situados dentro do ouvido interno e se comunicam com o sistema nervoso central através dos nervos da audição e do nervo vestibular. Doenças infecciosas, inflamatórias, tumorais e mesmo alterações genéticas podem ocasionar alterações nessas estruturas anatômicas. Essas patologias podem provocar sintomas como vertigem e tonturas. Drauzio – Qual é a diferença entre vertigem e tontura? Menon – Vertigem vem do latim “vertere” e quer dizer rodar. A definição clássica de vertigem é alucinação do movimento. Tontura admite outras definições. O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair. Drauzio – Vamos deixar bem claro quais sintomas diferenciam a crise de labirintite da tontura comum que a pessoa sente porque se alimentou mal, por exemplo. Menon – Na vertigem, o indivíduo vê os objetos do ambiente rodarem ao seu redor ou seu corpo rodar em relação ao ambiente. Pode parecer a mesma coisa, mas não é. São duas manifestações diferentes. Uma é subjetiva e a outra, objetiva. Esses sintomas, associados ou não a náuseas, vômitos, sudorese caracterizam a crise labiríntica típica. Sentir-se mal e ter a sensação de desmaio podem ser sintomas de hipoglicemia, de hipotensão ou de uma síncope e nada têm a ver com o labirinto. É o caso do indivíduo que vai à igreja sem comer, fica sentado muito tempo na mesma posição, tem uma queda nos níveis de açúcar e sente-se mal, com náusea. Drauzio – Além de sentir as coisas girarem, que outras características tem a labirintite? Menon –Além da vertigem, a labirintite pode apresentar manifestações neurovegetativas, ou seja, na fase aguda a doença pode ser acompanhada por náuseas, vômitos, sudorese e até por alterações gastrintestinais. Ela pode também estar associada a manifestações auditivas, como perda de audição, sensação de plenitude auditiva (sensação de ouvido cheio ou tapado), zumbido. Trata-se de manifestações audiovestibulares que podem acompanhar a crise de vertigem, embora nem isso nem o inverso sempre aconteçam. No entanto, existem quadros completos que ocorrem, por exemplo, na Síndrome de Ménière, uma doença comum cujas principais características são crise vertiginosa acompanhada de surdez flutuante, zumbido e alterações neurovegetativas, como náuseas, vômitos, mal-estar e diarréia, que impedem o paciente de locomover-se, de movimentar-se. Drauzio – Uma manifestação mais ou menos típica da labirintite é a tontura surgir quando a pessoa muda a posição da cabeça. Por que isso acontece? Menon - Além da doença de Ménière, outras doenças vestibulares dão vertigem. Uma delas é a vertigem postural paroxística. Seu portador desencadeia a crise quando movimenta a cabeça ou movimenta a cabeça e o corpo conjuntamente. Drauzio – O que acontece dentro da cabeça nesse momento? Menon – Dentro do labirinto, nos canais semicirculares, há um líquido – a endolinfa - e uma configuração de otólitos, pedras pequeninas que se movimentam quando o indivíduo move a cabeça. No caso da vertigem postural paroxística, na área do utrículo e do sáculo, existem as otocônias, pedrinhas
situadas sobre a mácula que se movimentam quando a pessoa mexe
a cabeça. Esse é um fator desencadeante da vertigem e
um quadro bem definido dentro da otorrinolaringologia. Existem outras
doenças vestibulares que podem provocar vertigem além
da síndrome de Ménière e da vertigem postural paroxística,
como as neuronites ou neurites vestibulares (processos inflamatórios
no nervo e nos gânglios vestibulares) e os neurinomas ou schwanomas
que são patologias tumorais importantes. Drauzio – Todas as alterações que aparecem nessa região do ouvido interno podem provocar labirintite? Menon – Provocam manifestações traduzidas pela vertigem clássica, rotatória, ou tontura caracterizada por desequilíbrio e instabilidade, por exemplo. |
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