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Gravidez na adolescência
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Dra. Adriana Lippi Waissman é médica obstetra do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, especializada em gravidez na adolescência.

Quando começar o pré-natal?

Drauzio - Você mencionou que muitas vezes esses desencontros familiares acabam retardando o atendimento pré-natal. Quais são os inconvenientes dessa demora?
Adriana – O início precoce de pré-natal evita as complicações de uma gravidez de risco como é a das adolescentes. A hipertensão que incide mais freqüentemente na gravidez, se diagnosticada cedo e a gestante for orientada, pode deixar de ser problema, pois será possível exercer algum controle sobre o ganho excessivo de peso. O mesmo se pode dizer em relação à restrição do crescimento fetal. Uma avaliação correta do estado nutricional dessas adolescentes e de sua ingestão protéico-calórica pode corrigir distorções importantes. Além disso, quanto mais cedo a anemia for detectada, mais fácil será combatê-la.
Portanto, o início precoce do pré-natal ajuda a minimizar ou até a abolir esses riscos. Normalmente o que acontece, porém, é que o acompanhamento começa em torno da vigésima semana. Considerando que a gravidez dura 40 semanas, quando a adolescente nos procura, pode ser tarde para corrigir certos distúrbios.
Por outro lado, vários estudos mostram que o estresse desempenha papel importante no aumento da pressão arterial na gravidez. Essa elevação interfere na pré-maturidade e na restrição do crescimento fetal. Sabe-se que adolescentes grávidas estão sujeitas a altos níveis de estresse e precisam de ajuda. Como o médico não consegue sozinho cercar todos os aspectos psicológicos e sociais em questão, existem equipes multidisciplinares envolvidas nesse trabalho. São psicólogas, enfermeiras, assistentes sociais, fisioterapeutas que colaboram para amenizar os riscos desse tipo de gestação.