Gravidez
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Dr. Jorge Naufal é médico ginecologista e obstetra, diretor do Hospital e Maternidade Neomater (São Bernardo, SP), referência estadual na área médica, e autor do livro “Gravidez, um caminho seguro” (Editora Ártemis).

Final da gravidez

Drauzio – Quais são os cuidados necessários no finalzinho da gravidez?
Jorge Naufal –
A mulher recebe a vacina antitetânica para prevenir o tétano umbilical, ou mal de sete dias, freqüente no passado porque era costume passar teia de aranha, excremento, terra no cordão umbilical.
A partir do sétimo mês, são prescritas massagens nos seios para modelar o mamilo e a aréola a fim de prepará-los para a amamentação e massagens no abdômen para evitar a formação de estrias.
No oitavo mês, a gestante recebe orientação a respeito do que pode sentir quando começar o processo de parto. Falamos da perda de sinal, da queda do ventre, das contrações uterinas, da perda do líquido amniótico, para que ela saiba distinguir o falso alarme do trabalho de parto verdadeiro. A partir da segunda gravidez, desde o sétimo mês, as contrações se tornam mais freqüentes, principalmente à noite quando a mulher se deita. Na primigesta, isso só acontece do oitavo mês em diante.

Drauzio Como ela diferencia as contrações que não são características do parto daquelas que ocorrem na hora de ir para a maternidade?
Jorge Naufal – No final da gestação, quando se deita, a mulher costuma ter diversas contrações. Se no dia seguinte não sentir mais nada, não são as contrações do parto. No entanto, se ficarem mais freqüentes, se o intervalo entre uma e outra for cada vez mais curto, é preciso ficar de sobreaviso porque está começando o trabalho de parto. Portanto, freqüência ( intervalo inferior a dez minutos) e intensidade das contrações (cada contração deve durar cerca de um minuto) são os parâmetros para indicar que está na hora de ir para a maternidade. Em pleno trabalho de parto, ocorrerão no mínimo três contrações em dez minutos.
A perda d’água pode ser confundida com perda urinária. Se a mulher tosse, pressiona a bexiga, perde líquido e ele tem cheiro e cor de urina, não há por que se preocupar. Na perda d’água, essas características não existem. Além disso, a mulher consegue controlar de alguma forma a perda da urina. Quando rompe a bolsa de água, não há nada que possa fazer. A perda é involuntária.

DrauzioA ruptura da bolsa é sinal de que chegou o momento de ir para a maternidade.
Jorge Naufal – Chegou o momento, porque seis horas depois da ruptura há o risco de infecção intraparto que pode atingir o útero e o nenê, pois germes podem subir por onde escoou o líquido.

DrauzioQue outras orientações são importantes nessa fase?
Jorge Naufal – Perda d’água e contrações são sinais de que o trabalho de parto começou, mas a mulher tem tempo para tomar banho, arrumar a mala, aguardar a chegada do marido em casa ou do médico no hospital. Todavia, líquido esverdeado ou amarelado, ou sangramento mais intenso são indicativos de que deve ir imediatamente para a maternidade.
Perda de líquido com cor diferente indica que o nenê está em sofrimento, com dificuldade de oxigenação, porque o cordão umbilical está enrolado em seu pescoço, parte da placenta descolou ou, ainda, porque o útero entrou em hipertonia. Quanto ao sangramento, pode ter sido provocado pelo descolamento ou ruptura do seio marginal da placenta, ou laceração do corpo ou do colo uterino. Nessas duas situações, o médico não irá esperar pela evolução natural do trabalho de parto, a não ser que a paciente já tenha entrado na fase expulsiva.