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Dr. Jorge Naufal é médico ginecologista e obstetra, diretor do Hospital e Maternidade Neomater (São Bernardo, SP), referência estadual na área médica, e autor do livro “Gravidez, um caminho seguro” (Editora Ártemis).

Segundo trimestre

DrauzioO segundo trimestre é sempre mais tranqüilo do que o primeiro?
Jorge Naufal – É o período mais estável da gravidez, embora no começo do terceiro mês o útero se desloque da bacia para o abdômen, mudando a posição de todos os órgãos intra-abdominais.
A compressão da bexiga provoca mictúria. A mulher levanta à noite para urinar porque a capacidade da bexiga fica comprometida. Podem ocorrer também distúrbios do aparelho digestivo, como azia por hipo ou hiper acidez e diminuição da motilidade intestinal. Em geral, o intestino fica preso, embora algumas tenham diarréia e flatulência aumentada. Se os sintomas forem moderados, tenta-se contorná-los com a escolha da alimentação adequada. Se forem exagerados, é preciso medicar.

Drauzio Quais são as complicações mais freqüentes no segundo trimestre da gravidez?
Jorge Naufal – O descolamento da placenta e a placenta prévia são complicações do segundo trimestre, mas que podem ocorrer desde o começo da gravidez. Nesses casos, a mulher apresenta sangramentos periódicos que podem estar associados à posição do corpo e ao esforço que faz.
Felizmente, hoje é possível fazer o diagnóstico correto dessas patologias por meio da ultra-sonografia, um exame não invasivo, coisa que não ocorria no passado. A visualização direta do feto e de seus anexos permite também optar pela conduta terapêutica mais adequada.

DrauzioVocê poderia explicar o que é placenta prévia?
Jorge Naufal – Normalmente, quando migra, o embrião nida no fundo do útero ou em sua parte mais alta. Se não houve essa fixação, ele vai caindo e pode alojar-se mais embaixo, próximo ao colo uterino, e a placenta se desenvolve na frente do colo ou ocluindo seu orifício interno. Qualquer movimentação nesse orifício pode provocar descolamento da placenta e sangramento, porque ela é um tecido extremamente vascularizado. Por isso, muitas vezes, é preciso manter a mulher em repouso até o final da gravidez e dar-lhe antiespasmódicos para evitar a contração uterina.