Potencial evolutivo

Drauzio – Durante milhões e milhões de anos de
evolução, a expressão de parcela expressiva
de genes se manteve, alguns que não eram expressos passaram
a expressar-se e outros, que eram expressos, foram desligados. Por
exemplo, os genes que regulam cor dos olhos persistiram, mas os que
codificavam o crescimento da cauda desapareceram nos grandes primatas.
O chimpanzé, o gorila e o homem não têm cauda,
por exemplo. Você não acha que nesse lixo do DNA que
não é expressivo pode estar registrada a história
da evolução humana na Terra?
Willy Beçak – Sem dúvida nenhuma. Embora parte
dos genes tenha sido eliminada durante a evolução,
temos uma quantidade muito grande de genes expressos e outra também
muito grande de genes latentes, guardados dentro do material genético
inerte, mas que possui significado e potencial evolutivo, inclusive
para o surgimento de eventuais doenças.
Não sei se os genes que codificam a cauda dos grandes primatas
foram eliminados ou estão silentes dentro das células.
Como o mecanismo de ativação e de silêncio é coordenado
pelos genes reguladores, esse material genético pode voltar
a expressar-se em algum momento.
Em outras palavras, a expressão de certos genes pode oscilar.
Por exemplo, os oncogenes que regulam as oncoproteínas envolvidas
no processo de formação do câncer, por muito
tempo sem dar sinal nenhum, podem ter sido de fundamental importância
nas diferenciações celulares anteriores. Vencida essa
fase, porém, eles não se manifestam até que,
sob determinadas condições, ressurgem e promovem a
multiplicação da célula maligna.