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Dr. Willy Beçak, geneticista especializado em Genética Humana e Animal, é diretor científico do Serviço de Genética do Instituto Butantan de São Paulo (SP).


Potencial evolutivo


DrauzioDurante milhões e milhões de anos de evolução, a expressão de parcela expressiva de genes se manteve, alguns que não eram expressos passaram a expressar-se e outros, que eram expressos, foram desligados. Por exemplo, os genes que regulam cor dos olhos persistiram, mas os que codificavam o crescimento da cauda desapareceram nos grandes primatas. O chimpanzé, o gorila e o homem não têm cauda, por exemplo. Você não acha que nesse lixo do DNA que não é expressivo pode estar registrada a história da evolução humana na Terra?
Willy Beçak – Sem dúvida nenhuma. Embora parte dos genes tenha sido eliminada durante a evolução, temos uma quantidade muito grande de genes expressos e outra também muito grande de genes latentes, guardados dentro do material genético inerte, mas que possui significado e potencial evolutivo, inclusive para o surgimento de eventuais doenças.
Não sei se os genes que codificam a cauda dos grandes primatas foram eliminados ou estão silentes dentro das células. Como o mecanismo de ativação e de silêncio é coordenado pelos genes reguladores, esse material genético pode voltar a expressar-se em algum momento.
Em outras palavras, a expressão de certos genes pode oscilar. Por exemplo, os oncogenes que regulam as oncoproteínas envolvidas no processo de formação do câncer, por muito tempo sem dar sinal nenhum, podem ter sido de fundamental importância nas diferenciações celulares anteriores. Vencida essa fase, porém, eles não se manifestam até que, sob determinadas condições, ressurgem e promovem a multiplicação da célula maligna.