Tipos de genes

Drauzio – Quando se
pensa em seleção natural,
vem logo a idéia de competição selvagem na natureza,
de seres lutando pela própria sobrevivência, e se esquece
da competição entre os genes, que é muito mais
sutil e antiga.
Willy Beçak – Esse é o mecanismo básico
subjacente. O conhecimento do genoma nos mostrou que, apesar da enorme
massa de DNA da qual fazem parte os genes, só uma parcela
mínima é constituída pelos genes estruturais.
Outra é formada pelos genes reguladores e outra, ainda, por
um material neutro que até agora ninguém sabe para
que serve, qual proteína codifica e em que etapa do desenvolvimento
se expressa.
Drauzio – Você poderia explicar o que são
genes estruturais e genes reguladores?
Willy Beçak – Os genes estruturais são responsáveis
pela codificação das proteínas indispensáveis
ao organismo. Os genes reguladores determinam como e quanto dessa
proteína vai se expressar, ou seja, controlam a expressão
dos genes estruturais.
Vamos dar um exemplo: a principal proteína do nosso sangue é a
hemoglobina, que é codificada por um gene estrutural, mas
são os genes reguladores que coordenam a forma de expressão
e a quantidade dessa proteína em cada organismo. Outro exemplo:
os genes estruturais são responsáveis pela cor dos
olhos, mas são os reguladores que definem a intensidade da
cor, mais clara ou mais escura, e a forma como ela se manifesta.
Drauzio – Além desses, existem outros genes também
muito importantes...
Willy Beçak – Além desses, existe uma quantidade
imensa de genes importantes ou para outros mecanismos regulatórios
que vão manter o organismo e a célula vivos, ou que
podem ser sujeitos a pressões de seleção e a
mutações.
Como se sabe, todo material genético pode sofrer mutações
espontâneas ou induzidas por fatores ambientais, como acontece
com a exposição ao ozônio, aos raios ultravioleta, à fumaça
dos ônibus. Quando são deletérias, ou o organismo
elimina o produto indesejado, ou é eliminado por ele. A mutação
vantajosa, ao contrário, se fixa no DNA. O resultado dessas
mutações aditivas produz material genético sujeito à seleção
e à evolução.
O mapeamento do genoma nos mostrou que grande quantidade desse material
está sujeita continuadamente a mutações. Quando
ocorrem nas células somáticas, acabam se expressando
seletivamente no organismo; quando ocorrem nas células germinativas,
que são os gametas, podem produzir indivíduos distintos,
melhores ou piores, não importa.
Se analisarmos o que aconteceu com todo o material genético
existente na natureza, veremos que, várias vezes, foi multiplicado
e sofreu modificações. Algumas delas se fixaram por
seleção natural, quando eram vantajosas para o organismo.
Voltando ao exemplo da hemoglobina, a célula do sangue dos
organismos primitivos possui um único tipo de hemoglobina.
Ao longo do processo evolutivo, os genes codificadores da hemoglobina
foram se multiplicando e sofrendo mutações que se fixaram.
O resultado, no ser humano, é que existem tipos diferentes
de hemoglobina no feto intra-uterino, no recém-nascido e no
adulto e, também, tipos mutantes que podem causar doenças
como a anemia falciforme e a talassemia, que nada mais são
do que alterações deletérias, prejudiciais.