Dobzansky

Drauzio – A redescoberta
das leis de Mendel, sem dúvida,
trouxe impulso decisivo para o estudo da Genética.
Willy Beçak – Quando os achados de Mendel foram retomados,
os expoentes da Genética viviam na Alemanha, na Rússia
e na Inglaterra. Ao terminar a Primeira Guerra Mundial, muitos deles
emigraram para os Estados Unidos, país que decidiu investir
pesado nas pesquisas desse ramo da ciência. Eu gostaria de
citar, especialmente, o grande geneticista russo Theodosius Dobzansky
que foi para os Estados Unidos e promoveu um salto no conhecimento,
estabelecendo o elo entre as características hereditárias
da drosófila e as de todos os outros organismos vivos.
Falo de Dobzansky, porque foi um dos grandes responsáveis
pela evolução da Genética no Brasil. Ele esteve
duas vezes por aqui. Em 1946, ficou um ano, e voltou em 1954. Nessa
ocasião, trabalhei com ele na Faculdade de Filosofia da USP.
Além de grande cientista, era um professor por excelência,
uma pessoa muito carismática, e escreveu livros que se mantêm
atuais até hoje.
Drauzio – Ele chegou
a ser considerado o maior geneticista do século 20. Você concorda com essa reputação?
Willy Beçak - É muito difícil falar em maior
geneticista do século, porque a Genética se diversificou
em tantos ramos, nos quais muitos cientistas se destacaram. Pode-se
dizer, no entanto, que Dobzansky foi o expoente máximo da
Genética fundamental e básica, porque deixou claro
para os cientistas e para o público em geral de que as leis
de hereditariedade que valiam para as ervilhas e para as moscas também
prevaleciam em todos os seres vivos.