Genética no Brasil

Drauzio – Como você vê o futuro da Genética
no Brasil?
Willy Beçak – Nos idos dos anos de 1960, o Brasil tinha
a terceira maior escola de Genética do mundo. Pergunta-se:
por que era a terceira e não é mais? Porque naquele
tempo era mais barato fazer ciência. Bastava o cientista ter
um bom microscópio, alguns corantes e um pouco de imaginação.
O resto era suor, transpiração.
Hoje, fazer ciência pressupõe contar com equipamentos
sofisticados, drogas muito caras e grandes equipes. Nosso país
ainda se destaca em algumas áreas, mas poderia fazer muito
mais. Temos um potencial enorme de profissionais capazes e nosso
jovem cientista é extremamente criativo. Tanto é que,
quando emigra para trabalhar nos Estados Unidos, por exemplo, não
o deixam voltar, porque sua contribuição é valiosa.
O que lhes falta aqui são condições financeiras
e locais para trabalhar. Veja o que aconteceu no Instituto Butantan.
Mudanças nos critérios de aposentadoria fizeram com
que vários profissionais antecipassem sua saída, mas
nenhum deles foi substituído durante anos e o número
de pesquisadores caiu bastante.
Embora especificamente na área da Genética tenhamos
muita gente boa trabalhando, é preciso fazer muito mais. Os
avanços em saúde pública foram muitos, mas as
mesmas doenças que nos preocupavam cem anos atrás – dengue,
febre amarela, malária, tuberculose – estão ai,
não foram erradicadas. Não há dúvida
de que as pesquisas genéticas podem contribuir muito para
a prevenção dessas enfermidades, a única forma
de resolver os problemas de saúde pública no Brasil
e de competir em nível internacional.
Drauzio – O que você diria aos estudantes interessados
em escolher uma profissão ligada à Genética?
Willy Beçak – Diria que o futuro promete ser muito bom.
Claro está que encontrarão dificuldades, mas o campo
de trabalho é magnífico e precisa de gente jovem e
criativa.