Pesquisadores estrangeiros

Drauzio – Nessa época, muitos pesquisadores estrangeiros
vieram trabalhar no Brasil. Há alguém que você gostaria
de mencionar?
Willy Beçak – Trabalharam no Instituto Butantan pesquisadores
de fama mundial, como Heinz Fraenkel-Conrat e Karl Slotta que isolaram,
caracterizaram e cristalizaram a crotoxina, uma proteína extraída
do veneno da cascavel. Slotta era químico e descreveu também
a eletroforese em papel. Fraenkel-Conrat recebeu mais tarde o prêmio
Nobel por ter decodificado e recristalizado o vírus do mosaico
do tabaco. Numa época em que se discutia se o vÍrus
era um organismo vivo ou não, um cristal ou não, ele
mostrou qual era o material genético do vírus.
Drauzio – O que mais
os atraía nos
institutos de pesquisa brasileiros?
Willy Beçak – Tanto o Instituto Oswaldo Cruz, em Manguinhos,
quanto o Butantan e o Adolfo Lutz, em São Paulo, receberam
grande número de pesquisadores de fora que passaram temporadas
bastante longas no Brasil, não só para estudar as doenças
tropicais – parte delas vigentes até hoje, mas também
para o estudo da diversidade.