Gagueira
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Fernanda Papaterra Limongi é fonoaudióloga, formada pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e com pós-graduação na University of North Dakota, EUA.


Os três fatores

Drauzio – De alguma forma, a gagueira está sempre ligada à insegurança?
Fernanda P. Limongi –
Eu diria que sim, embora existam gagos muito seguros. O assunto é polêmico. Na verdade, está e não está ligada à insegurança, porque para desenvolver gagueira são necessários três fatores, os três “P”: o fator predisponente (a pessoa tem predisposição genética, congênita), o fator precipitante que é sempre de origem ambiental e o fator perpetuante que mantém o problema.
A pessoa predisposta descarrega a tensão na fala e não em outro órgão do corpo e, quando se percebe gaga, fica com medo. Daí, entra num círculo vicioso. Quanto mais medo, mais gagueja, maior a ansiedade e fuga das situações de comunicação, mais estresse, mais repetições involuntárias. Insegura, prefere andar até o supermercado, que fica distante e onde não precisa falar, a entrar na padaria da esquina para pedir pão e leite. Agindo assim, ela colabora para que a gagueira se autoperpetue.