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Funcionamento do intestino
A digestão começa na boca
Dormir depois da refeição
O caminho dos alimentos: processo digestivo
Eliminação dos resíduos: bolo fecal
Mecanismo da evacuação
Obstipação nas mulheres
Diagnóstico e tratamento
Dieta ideal para o funcionamento do intestino
Hábitos intestinais e uso de laxantes





Marcelo Averbach e Renato Saad são médicos cirurgiões do Hospital Sírio-Libanês, especializados em aparelho digestivo.

Diagnóstico e tratamento


Drauzio - Esses exames facilitam o diagnóstico e o tratamento dos doentes?
Renato - Facilitam, e muito. Com esse tipo de equipamento conseguimos não só diagnosticar, mas também tratar algumas doenças. A contração inadequada do assoalho pélvico e do esfíncter é tratável pela mesma técnica que se empregou para fazer o diagnóstico. É uma espécie de fisioterapia que visa a orientar o paciente quanto à maneira correta de evacuar.
Existem, ainda, outras alterações que esses exames podem detectar e que exigem uma solução cirúrgica. O sucesso da cirurgia está diretamente relacionado à investigação criteriosa do problema. Quanto mais investigado for o distúrbio, mais objetivo será o diagnóstico e mais eficiente, o tratamento.

Drauzio - Marcelo, quais os primeiros passos para tratar alguém que chega ao consultório dizendo que o intestino fez greve?
Marcelo - A primeira coisa que devemos avaliar num indivíduo obstipado é o que ele come. Como já dissemos, os alimentos ingeridos representam a base do que será eliminado. Obviamente, quem ingere poucas fibras terá uma evacuação mais trabalhosa e com conteúdo reduzido.
Se concluirmos que não existe erro na forma de alimentar-se, passamos a pesquisar a possível ocorrência de doenças que costumam prender o intestino, como os tumores e o megacólon resultante da picada do barbeiro que, no Brasil, é uma causa de obstipação freqüente e que se caracteriza por uma grande dilatação do cólon com conseqüente alteração de sua motilidade.
A seguir, a atenção se volta para os problemas do funcionamento intestinal que podem ser divididos em dois grandes grupos:
a) incoordenação dos movimentos peristálticos: o intestino não consegue fazer com que o bolo progrida e as fezes acabam represadas ao longo do intestino grosso;
b) incoordenação muscular: o descompasso entre as contrações musculares faz com que o bolo fecal fique represado do lado esquerdo, junto ao reto.
Essa diferenciação é importante porque a conduta terapêutica deve obedecer às características de cada caso. O paciente com contração inadequada precisa aprender a relaxar a musculatura durante a evacuação. Já o que apresenta um problema de inércia, ou seja, um intestino que não promove um impulso adequado para o bolo fecal, exige outro tipo de tratamento.