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Dr. Carlos Alberto Pastore é médico cardiologista, diretor do Serviço de Eletrocardiologia do Instituto do Coração (INCOR) e doutor em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. É autor do livro “Dicas de Saúde, Curiosidades e Esclarecimentos”, Editora FTD (1988).


Perguntas enviadas por e-mail

Tânia Watanabe – Nova Indaiatuba (SP) Para o fumante, qual o intervalo indicado entre uma avaliação cardiológica e outra?
C A Pastore – Um fumante moderado, aquele que fuma de 3 a 5 cigarros por dia, talvez uma avaliação anual seja suficiente, porque a doença cardiovascular, geralmente, leva alguns anos para instalar-se. O problema é que quase nenhum fumante consegue fumar apenas esse número de cigarros por dia.

Drauzio E os que fumam um maço por dia, de quanto em quanto tempo devem ser avaliados?
C A Pastore – Esses, pelo menos uma vez a cada seis meses, porque o cigarro agrava a doença inflamatória e facilita a instalação de problemas cardíacos.

Paula Santos – Pelotas (RS) Exames de sangue com valores anormais seriam bons indicativos da necessidade de passar por avaliação cardiológica?
C A Pastore – Não há dúvida de que são indicativos da necessidade de avaliação. Níveis de colesterol, de triglicérides, de ácido úrico elevados e diabetes facilitam muito a ocorrência de doenças cardíacas e exigem controle.

Rosana Coelho – São José dos Campos (SP) – Às vezes, a pessoa faz exames com resultado normal e logo depois infartam. Por quê?
C A Pastore – Explicar que a pessoa morreu logo depois de ter feito um eletrocardiograma que deu normal não é muito fácil. Acontece que esse exame é feito em repouso e dá uma fotografia da atividade cardíaca no momento em que foi realizado. Hoje, se estudam muito os canais de íons (moléculas eletricamente polarizadas de sódio, cloro, cálcio e potássio). Algumas pessoas nascem com mutações e esses canais não funcionam satisfatoriamente o tempo todo. Por exemplo, durante uma atividade física, pode ocorrer uma falha que provoca a morte súbita. Às vezes, são indivíduos saudáveis, hígidos, mas com uma deficiência funcional que não foi detectada. Num hospital americano, está escrita a seguinte frase: “Morte súbita não existe. Leva anos para acontecer”. E é verdade. Infelizmente, a pessoa que morre de repente sentia-se bem, mas tinha um problema que não foi possível diagnosticar.

Ronan Azevedo – Campos de Goitacazes (RJ) É possível prever a possibilidade de uma parada cardíaca fazendo exames preventivos?
C A Pastore – É possível evitar boa parte delas com cuidados preventivos, mas algumas são realmente muito difíceis de prever.

José Cláudio de Almeida – Fortaleza (CE)
Posso freqüentar uma academia sem antes consultar um cardiologista?
C A Pastore – Indivíduos jovens acham que não precisam fazer esse tipo de avaliação. Felizmente, as academias têm exigido os exames porque o risco existe. Além disso, atualmente, os exercícios requerem mais esforço e, o que é lastimável, algumas pessoas tomam drogas para crescer a musculatura. Portanto, não importa a idade, quem entra numa academia deve fazer exames porque a exigência cardiovascular aumenta com a atividade física.

Railena Martins da Costa –Teresina (PI) Quais exames cardiológicos o portador de diabetes deve fazer?
C A Pastore – O portador de diabetes deve ser acompanhado pelo endocrinologista, porque tem de manter valores adequados de glicemia no sangue. Exames de laboratório podem ser indicados semestralmente para acompanhar a evolução da doença e há quem faça o teste glicêmico todos os dias (glicofita).
Como tem maior predisposição para desenvolver doença cardiovascular, o portador de diabetes deve passar por uma boa avaliação cardíaca pelo menos uma vez por ano, porque a doença é muito agressiva para as artérias.

Drauzio Que mensagem você gostaria de deixar para nossos leitores?
C A Pastore – Nossa experiência mostra que as pessoas cuidadosas e atentas à prevenção das doenças cardiovasculares conseguem viver muito mais e com qualidade melhor. Homens e mulheres com mais de 90 anos, chegam andando no consultório, coisa que não se via anteriormente. As mulheres, que vivem mesmo mais do que os homens e são mais cuidadosas com a saúde, costumam estar ativas aos 80, 85 anos e aptas para a prática de atividade física. Por isso, não tenho dúvida de que o tratamento e a prevenção são fundamentais para evitar problemas cardiovasculares.

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