Perguntas enviadas por e-mail

Tânia Watanabe – Nova Indaiatuba (SP)
– Para o fumante, qual o intervalo indicado entre uma avaliação
cardiológica e outra?
C A Pastore – Um fumante moderado, aquele que
fuma de 3 a 5 cigarros por dia, talvez uma avaliação
anual seja suficiente, porque a doença cardiovascular, geralmente,
leva alguns anos para instalar-se. O problema é que quase nenhum
fumante consegue fumar apenas esse número de cigarros por dia.
Drauzio – E os que fumam um maço
por dia, de quanto em quanto tempo devem ser avaliados?
C A Pastore – Esses, pelo menos uma vez a cada
seis meses, porque o cigarro agrava a doença inflamatória
e facilita a instalação de problemas cardíacos.
Paula Santos – Pelotas (RS) – Exames
de sangue com valores anormais seriam bons indicativos da necessidade
de passar por avaliação cardiológica?
C A Pastore – Não há dúvida
de que são indicativos da necessidade de avaliação.
Níveis de colesterol, de triglicérides, de ácido
úrico elevados e diabetes facilitam muito a ocorrência
de doenças cardíacas e exigem controle.
Rosana Coelho – São José
dos Campos (SP) – Às vezes, a pessoa faz exames com resultado
normal e logo depois infartam. Por quê?
C A Pastore – Explicar que a pessoa morreu
logo depois de ter feito um eletrocardiograma que deu normal não
é muito fácil. Acontece que esse exame é feito
em repouso e dá uma fotografia da atividade cardíaca
no momento em que foi realizado. Hoje, se estudam muito os canais
de íons (moléculas eletricamente polarizadas de sódio,
cloro, cálcio e potássio). Algumas pessoas nascem com
mutações e esses canais não funcionam satisfatoriamente
o tempo todo. Por exemplo, durante uma atividade física, pode
ocorrer uma falha que provoca a morte súbita. Às vezes,
são indivíduos saudáveis, hígidos, mas
com uma deficiência funcional que não foi detectada.
Num hospital americano, está escrita a seguinte frase: “Morte
súbita não existe. Leva anos para acontecer”.
E é verdade. Infelizmente, a pessoa que morre de repente sentia-se
bem, mas tinha um problema que não foi possível diagnosticar.
Ronan Azevedo – Campos de Goitacazes (RJ) –É
possível prever a possibilidade de uma parada cardíaca
fazendo exames preventivos?
C A Pastore – É possível evitar
boa parte delas com cuidados preventivos, mas algumas são realmente
muito difíceis de prever.
José Cláudio de Almeida – Fortaleza (CE) –
Posso freqüentar uma academia sem antes consultar um cardiologista?
C A Pastore – Indivíduos jovens acham
que não precisam fazer esse tipo de avaliação.
Felizmente, as academias têm exigido os exames porque o risco
existe. Além disso, atualmente, os exercícios requerem
mais esforço e, o que é lastimável, algumas pessoas
tomam drogas para crescer a musculatura. Portanto, não importa
a idade, quem entra numa academia deve fazer exames porque a exigência
cardiovascular aumenta com a atividade física.
Railena Martins da Costa –Teresina (PI) –
Quais exames cardiológicos o portador de diabetes deve fazer?
C A Pastore – O portador de diabetes deve ser
acompanhado pelo endocrinologista, porque tem de manter valores adequados
de glicemia no sangue. Exames de laboratório podem ser indicados
semestralmente para acompanhar a evolução da doença
e há quem faça o teste glicêmico todos os dias
(glicofita).
Como tem maior predisposição para desenvolver doença
cardiovascular, o portador de diabetes deve passar por uma boa avaliação
cardíaca pelo menos uma vez por ano, porque a doença
é muito agressiva para as artérias.
Drauzio – Que mensagem você gostaria
de deixar para nossos leitores?
C A Pastore – Nossa experiência mostra
que as pessoas cuidadosas e atentas à prevenção
das doenças cardiovasculares conseguem viver muito mais e com
qualidade melhor. Homens e mulheres com mais de 90 anos, chegam andando
no consultório, coisa que não se via anteriormente.
As mulheres, que vivem mesmo mais do que os homens e são mais
cuidadosas com a saúde, costumam estar ativas aos 80, 85 anos
e aptas para a prática de atividade física. Por isso,
não tenho dúvida de que o tratamento e a prevenção
são fundamentais para evitar problemas cardiovasculares.
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