BUSCA

 


Exames preventivos para o coração
Avaliação precoce
Eletrocardiograma
Teste ergométrico e ecocardiograma
Cintilografia e cateterismo
Exames laboratoriais
Perguntas enviadas por e-mail





Dr. Carlos Alberto Pastore é médico cardiologista, diretor do Serviço de Eletrocardiologia do Instituto do Coração (INCOR) e doutor em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. É autor do livro “Dicas de Saúde, Curiosidades e Esclarecimentos”, Editora FTD (1988).


Exames laboratoriais

Drauzio – Além desses exames para avaliar o desempenho do coração que requerem aparelhos para serem realizados, existem os exames de sangue de rotina. Vamos falar um pouco sobre eles.
C A Pastore – Existe um empenho mundial em estudar a genética do infarto, porque definir os marcadores que vão levar à inflamação das artérias e predispor à aterosclerose é muito importante para prevenção. Numa pessoa com histórico familiar, os exames do colesterol e suas frações, do triglicérides e de alguns marcadores, como proteína C-reativa e homocisteína, são importantes para estimar o risco de doença cardíaca.

Drauzio Você tem insistido na questão da genética, que realmente é muito importante. Além das pessoas com história familiar de doenças do coração, que outras pertencem ao grupo de risco?
C A Pastore – Eu diria que diabetes, obesidade e hipertensão arterial estão entre as que têm chamado mais atenção, porque são doenças que agridem o endotélio (tecido que reveste os vasos sangüíneos), que inflama e isso facilita a deposição de colesterol nas artérias. Portanto, o indivíduo que é diabético, hipertenso, obeso, tem ácido úrico elevado e fuma agregou fatores que agridem o endotélio e está mais propenso a doenças do coração.

Drauzio – De quanto em quanto tempo, pessoas com fatores de risco associados devem passar por avaliação cardíaca?
C A Pastore – Pelo menos uma vez a cada semestre, porque manter pressão arterial e diabetes bem controlados é importante para diminuir a agressão ao endotélio. Além disso, se perder peso e praticar alguma atividade física, estará contribuindo para a melhora das condições arteriais.
Todos esses cuidados não substituem a medicação, quando ela é necessária. As pessoas acham que conseguem fazer a prevenção sem tomar remédios. Infelizmente, a genética demonstrou que, muitas vezes, isso não é possível. Algumas medicações são fundamentais e indispensáveis para proteger as paredes internas das artérias e para baixar os níveis de colesterol.

Drauzio Não há dúvida de que o comprometimento do endotélio facilita a formação da placa de gordura que provoca a obstrução das artérias, mas há pessoas que dizem haver exagero na prescrição das drogas para controlar o colesterol. Qual é sua opinião a respeito do assunto?
C A Pastore – As estatinas são conhecidas há 20, 30 anos. Descobertas por acaso, demonstraram ser eficazes não só para baixar os valores do colesterol, mas também como antiinflamatórios. Cada vez mais sofisticadas e eficientes, atuam sobre o endotélio, diminuindo a inflamação.
Na verdade, as estatinas mudaram o caminho da doença aterosclerótica e são indicadas para diabéticos e hipertensos, em razão dos benefícios que trazem na evolução da doença cardiovascular. Por causa de sua ação antiinflamatória, também estão sendo usadas na artrite reumatóide e pelos oftalmologistas e levanta-se a possibilidade de utilizá-las na doença de Alzheimer.
Portanto, posso dizer com tranqüilidade que a indicação dessa droga tem-se mostrado cada vez mais importante no controle de certas doenças.

Drauzio Em que você se baseia para indicar as estatinas para o controle do colesterol?
C A Pastore – Os valores do colesterol solicitados estão cada vez mais baixos e há pacientes que não conseguem deixá-los menores do que 200 apenas com dieta. Às vezes, é muito difícil mesmo. O resultado de uma dieta espartana não provoca mais de 20% na redução dos valores do colesterol e ninguém suporta mantê-la por mais de dois meses. Então, é necessário apelar para o bom senso e associar à dieta um pouco de medicação, deixando liberdade para as extravagâncias nos finais de semana. Pessoas com predisposição genética para o aumento do colesterol não podem levar a vida comendo o que querem todos os dias. Precisam de cuidado com a dieta e de medicação.