Cintilografia e cateterismo

Drauzio – Vamos imaginar que o eletrocardiograma
tenha sido normal e a prova de esforço venha alterada. Que
conduta adotar nesse caso?
C A Pastore – Às vezes, aparece uma
alteração elétrica que pode sugerir alguma anormalidade
no músculo cardíaco ou nas coronárias. Como o
exame não define se existe doença e apesar de ocorrerem
falsos positivos, a solução é recorrer a um teste
ergométrico sofisticado que utiliza recursos da medicina nuclear.
Durante a atividade física na esteira, no pico do exercício,
injeta-se na veia um isótopo radioativo, isto é, uma
substância ávida pelo músculo cardíaco
para que um aparelho externo capte em que medida ela impregnou o coração.
A imagem que se obtém é tridimensional e deixa ver como
está a irrigação em todas as áreas cardíacas.
Trata-se de um exame não invasivo, bastante sensível,
com possibilidade de revelar mesmo alterações muito
pequenas. Na verdade, sua interpretação permite verificar
como trabalha o coração e se existe alguma isquemia,
ou seja, alguma região em que o sangue não circula direito.
Se esse exame deu normal, não há por que continuar a
avaliação.
Drauzio – E se o resultado estiver alterado,
qual o passo seguinte?
C A Pastore – Precisamos partir para a cineangiocoronariografia,
mais conhecida como cateterismo, exame feito por uma punção
na artéria por onde se introduz um cateter que vai até
as artérias coronárias que irrigam o coração.
A seguir, injeta-se um contraste e filma-se a vascularização
do órgão. Considerado o exame mais completo para detectar
se existe obstrução nas coronárias, o cateterismo
é um exame invasivo, mas sem grande risco.
Drauzio – O cateterismo é o ponto
final da avaliação cardiológica?
C A Pastore – Hoje, fazemos o cateterismo só
em situações extremamente graves. Se a pessoa chega
queixando-se de dor no peito e o diagnóstico do eletrocardiograma
é infarto do miocárdio, é preciso fazer um cateterismo
rapidamente para tentar desobstruir a artéria comprometida.
No entanto, na avaliação cardiológica, ele não
cabe, porque temos condições de verificar o desempenho
do coração recorrendo a outros exames bastante confiáveis
e não invasivos e que, feitos com periocidade, permitem determinar
a evolução da doença.
Drauzio – Com que freqüência
esses exames devem ser repetidos?
C A Pastore - Uma vez por ano é um tempo adequado.
Pessoas muito saudáveis fazem a cada dois anos, mas isso não
é recomendado porque estão sempre aparecendo novos tipos
de tratamento, por exemplo, para controlar o colesterol ou associar
medicações. Em cardiologia, os avanços ocorrem
muito rápido e a prevenção deva começar
precocemente.