Avaliação precoce

Drauzio – Qual
é o momento indicado para fazer avaliação cardiológica?
C. A. Pastore – A avaliação cardiológica
precoce é importante para pessoas com história familiar
de doenças do coração, já que a genética
é fator determinante no aparecimento de problemas cardíacos.
A avaliação deve ser iniciada aos 30, 35 anos, para
quem não desempenha atividade esportiva intensa. Indivíduos
sedentários e sem história familiar de problemas cardíacos
podem começar um pouco mais tarde, aos 35, 40 anos.
Drauzio – O que deve ser valorizado na
história familiar?
C.A. Pastore – Nas famílias em que há
vários casos de infartos e derrames cerebrais, especialmente
quando ocorreram com parentes mais jovens, é preciso estar
atento à aterosclerose, ou seja, à deposição
de gorduras nas artérias, e os marcadores dessa doença
devem ser dosados já na adolescência. A falta do diagnóstico
precoce pode resultar na descoberta de um processo ativo da doença,
20 anos depois de instalado.
Drauzio – Os riscos de acidentes cardiovasculares
nos jovens que não têm história familiar exuberante,
em geral, começam aos 45 anos e, nas mulheres, a partir da
menopausa. Quando você recebe um homem de 43 anos, sem histórico
familiar, para avaliação cardiológica, que exames
você pede primeiro?
C A Pastore – Na consulta clínica, a
realização do eletrocardiograma é um procedimento
básico. Embora funcione como uma foto que registra o desempenho
cardíaco naquele momento, dá subsídios para avaliar
se o indivíduo tem condições de praticar atividade
física e de andar numa esteira, por exemplo.
A seguir, peço um teste ergométrico, exame importante
para a avaliação, que é realizado com a pessoa
caminhando em esteira para verificar as reservas cardíacas.
Atualmente, junto com a ergometria, peço também o ecocardiograma,
ou seja, um ultra-som do coração para verificar suas
medidas, tamanho e a presença ou não de hipertrofias.
Paralelamente, a pessoa realiza exames de sangue de rotina para check-up.