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Resposta ao tratamento e reação dos pacientes Drauzio – Você mencionou que 50% dos pacientes com depressão crônica, uma doença grave, que não respondem aos esquemas medicamentosos de tratamento, são beneficiados com a aplicação do eletrochoque. Márcia M. Soares – No nosso ambulatório de doenças afetivas no Hospital das Clínicas, são atendidas em torno de 300 pessoas por mês. Uma avaliação realizada com pacientes deprimidos ou bipolares que alternam episódios de depressão e euforia - fase em que ficam agitados, acelerados, irritadiços, com mania de grandeza e não dormem - e resistentes ao tratamento com medicação mostrou que mais da metade melhorou depois de ter recebido o eletrochoque. Esses dados são concordantes com os obtidos nos Estados Unidos e Europa sobre a melhora com ECT em pacientes que não respondem a medicações antidepressivas. É comum encontrar pacientes com qualidade de vida comprometida por causa da depressão. Apesar de já terem passado por anos e anos de tratamentos medicamentosos, não conseguem trabalhar, atravessam crises conjugais sérias, não sentem prazer em nada e têm idéias de suicídio. Eticamente, o que justifica submetê-los a mais uma série longa de antidepressivos aos quais já não responderam se é possível oferecer-lhes a eletroconvulsoterapia que, pelo menos em 50% dos casos, vai proporcionar melhora importante? Drauzio – Dá para se fazer uma idéia do que representou o trauma de eletrochoque a seco no passado? Márcia M. Soares – Pacientes acompanhados no Hospital das Clínicas tão antigos quanto o próprio Instituto de Psiquiatria e que já passaram por várias etapas de tratamento contam com horror a experiência vivida, embora não se lembrem com exatidão do que aconteceu por causa do efeito amnésico do eletrochoque. No entanto, muitos optam pela eletroconvulsoterapia dentro dos moldes de segurança modernos quando atravessam uma crise grave de depressão. Drauzio – E o que dizem da diferença entre um método e outro? Márcia M. Soares – Atualmente, a história é outra. O padrão clássico do eletrochoque é o que se faz hoje, com mais segurança e eficácia e muitos pacientes descrevem nítida melhora depois de sua aplicação, apesar do medo do procedimento, pois acham que vai doer ou provocar lesões ou queimaduras nos miolos. Uma das coisas que mais os impressiona é a rapidez com que a melhora acontece, pois não é raro terem tomado medicação durante meses sem observar resultado positivo algum. Para quem está sofrendo há muito tempo com depressão, uma doença grave que pressupõe limitações e sérias conseqüências, isso não tem preço. O alívio dos sintomas depressivos em duas ou três semanas apaga o medo prévio do tratamento com eletrochoque. | ||||||||