Empecilhos à modernização
do tratamento

Drauzio – O que falta para esses centros
que ainda aplicam o eletrochoque à moda antiga deixarem de cometer
essa violência?
Márcia M. Soares – Acho que informação
não falta. A Associação Brasileira de Psiquiatria
e os grandes centros universitários têm procurado difundir
o que se preconiza como técnica ideal: o paciente deve passar
por vários exames prévios, receber anestesia e relaxamento
muscular e ser assistido por um anestesista e um psiquiatra. Parece,
porém, que o problema é financeiro. O SUS, se não
me engano, remunera R$30,00 por uma aplicação que custa
R$300,00 ou R$400,00. É, portanto, uma questão de vontade
política. Centros no interior de Goiás, por exemplo, não
têm estrutura para aplicar o eletrochoque segundo as técnicas
mais modernas. Como não existe alternativa de tratamento, pois
a rede básica de saúde não fornece os remédios
necessários, o eletrochoque acaba sendo usado nos moldes antigos,
o que é condenável sob todos os aspectos.

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