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Perda parcial da memória Drauzio – O paciente costuma recordar-se de alguma coisa ocorrida nesse período? Márcia M. Soares – Em geral, o tratamento para a fase aguda é ministrado três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras. Esse é o padrão. Em função da freqüência com que recebe o estímulo elétrico no cérebro e a anestesia, o paciente não se lembra bem de muita coisa. Do momento do eletrochoque, porém, não guarda lembrança nenhuma. Recorda-se vagamente de ter chegado e de ter saído da sala. É uma sensação semelhante a que se tem quando se faz endoscopia e se toma uma medicação anestésica que não nos deixa registrar na memória o período de realização do exame. É importante tocar nessa questão da memória. As pessoas temem que recebendo o eletrochoque ficarão esquecidas para sempre. De fato, algumas mais sensíveis ou mais idosas ou que tomam certas medicações podem apresentar problema de memória nos meses que se seguem ao tratamento. A grande maioria, entretanto, no máximo em seis meses, vê desaparecer esses pequenos déficits de memória. Drauzio – Que memória é essa, a memória tardia ou a memória precoce? Márcia M. Soares – A memória para os fatos que aconteceram durante o período de aplicação do eletrochoque e, algumas vezes, para dados autobiográficos mais passados. Parece haver uma certa especificidade para a perda de memória desses dados autobiográficos, mas são raríssimos os casos em que isso dura mais de seis meses. Quase todos recuperam a memória completamente. Vale também mencionar que o problema é mais intenso quanto mais forte for o estímulo elétrico. Sabe-se que existem lugares no Brasil em que não se usa a eletroconvulsoterapia como recomendam a Associação Brasileira de Psiquiatria e a Associação Psiquiátrica Americana. Nesses lugares, o eletrochoque é aplicado a seco, sem anestesia, e a briga é grande para que isso não aconteça mais. |
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