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Eletrochoque / Eletroconvulsoterapia
História do eletrochoque
Técnicas de aplicação do eletrochoque
Perda parcial da memória
Mecanismo de ação do eletrochoque e riscos do tratamento
Indicação do tratamento com eletrochoque
Eletrochoque no controle da agressividade
Empecilhos à modernização do tratamento
Resposta ao tratamento e reação dos pacientes





Márcia de Macedo Soares é médica psiquiatra e trabalha no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Técnicas de aplicação do eletrochoque

DrauzioNessa época, a administração do eletrochoque na pessoa acordada era uma coisa brutal. Além disso, foi muito discutido o fato de que ele teria sido usado como arma de tortura, especialmente nos países da cortina de ferro, onde se atribuíam aos presos políticos problemas psiquiátricos que, na verdade, não tinham.
Márcia M. Soares – É muito importante distinguir os fatos. Uma coisa é o eletrochoque usado para fins de tortura e punição o que aconteceu também no Brasil na década de 1960 e que nada tem a ver com o eletrochoque aplicado atualmente na eletroconvulsoterapia. Antigamente não se usava anestesia nem relaxamento muscular e a cena era mesmo muito agressiva. Lembro-me de que quando apliquei o primeiro eletrochoque nos anos 1980, saí horrorizada. Hoje a técnica é completamente diferente.

DrauzioVocê poderia descrever a técnica atual?
Márcia M. Soares – A aplicação do eletrochoque pode ser feita com o paciente internado no hospital ou ambulatorialmente. Neste caso, ele pode vir de casa, receber o eletrochoque e voltar para casa. O preparo inclui jejum durante a noite anterior porque a pessoa vai ser submetida à anestesia. Ao chegar às 7h da manhã, ela é recebida por uma equipe de enfermeiras e psicólogos. Depois, é conduzida para a sala onde será anestesiada e receberá um relaxante muscular, oxigenação e monitores cardíacos, cerebrais e de pressão arterial. Só então é aplicado um estímulo muito breve através de dois eletrodos que são colocados na parte frontal da cabeça, o suficiente para induzir a convulsão que é vista apenas no monitor do eletroencefalograma.
Durante todo o procedimento, que demora em média trinta minutos, o paciente é acompanhado por um médico anestesista e por um psiquiatra. Depois que volta da anestesia, a enfermagem verifica se ele está confuso ou não. Se estiver bem orientado, toma café da manhã e pode voltar para casa.

Drauzio
Por que se provoca esse relaxamento muscular?
Márcia M. Soares – Antes de ser desenvolvida a técnica atual, quando não se usava o relaxamento muscular, as fraturas representavam um efeito colateral muito grave do eletrochoque. Elas ocorriam por causa da contração muscular principalmente em pessoas idosas que já tinham algum grau de enfraquecimento dos ossos. Hoje, graças à anestesia e ao relaxamento muscular, a convulsão só é percebida pelo registro do eletroencefalograma.
Em alguns lugares, depois de o paciente ser anestesiado e antes de aplicar o relaxante muscular, se insufla com força o manguito do aparelho de pressão de forma que uma parte do braço não receba o medicamento o que torna possível observar apenas nessa região as contrações e abalos provocados pelo estímulo elétrico.