Cegueira e baixa visão

Drauzio – Como se estabelece
a diferença entre cegueira e baixa visão?
M. Aparecida Haddad – Quando abordamos a deficiência
visual, consideramos a criança ou o adulto cegos ou com baixa
visão. Qualquer que seja a idade, a pessoa é cega quando
não tem percepção de luz. Para ela tudo é
escuro. Para classificar a baixa visão, utilizamos a escala
numérica da medida da acuidade visual. Lembrando que a visão
normal é 20/20, a baixa visão vai de 20/60 até
a falta de percepção de luz.
Drauzio – Pode-se dizer que, teoricamente,
tem deficiência de visão a pessoa que enxerga três
vezes menos do que o normal?
M. Aparecida Haddad – Enxerga no mínimo
três vezes menos do que a pessoa normal. É importante
lembrar que as medidas de acuidade visual indicam a deficiência
quando a pessoa apresenta alteração mesmo depois do
tratamento clínico ou cirúrgico para a doença
ocular de base e o uso dos óculos adequados. Não fosse
assim, seria considerada com baixa visão a pessoa que tivesse
oito graus de miopia, o que não é verdade. Portanto,
essa classificação só cabe quando o paciente
passou por todos os tratamentos possíveis para a doença
ocular de base e já foram tentados todos os recursos óticos
disponíveis para melhorar a visão.
Drauzio – Quais são os parâmetros
para estabelecer o critério de baixa visão e cegueira?
M. Aparecida Haddad - Falar de baixa visão
é diferente de falar em cegueira. Na cegueira, existe um padrão
único de resposta, ou seja, a pessoa não enxerga nada.
Para entender o que se chama de baixa visão, de acordo com
a classificação da Dra. Faye da Universidade de Nova
Iorque, há três padrões diferentes.
Primeiro: a pessoa pode ter uma alteração da transparência
dos meios óticos, ou seja, as estruturas que são transparentes
podem perder a transparência. Por exemplo: a perda da transparência
do cristalino por causa de uma catarata não operada ou uma
cicatriz na córnea.
Segundo: cicatriz na região central da retina, na mácula
ou fóvea para onde converge a imagem, pode provocar um defeito
no campo visual que obriga a pessoa a posicionar a cabeça e
o olhar de tal modo que a visão seja jogada na área
da retina que permanece viável.
Terceiro: fechamento do campo visual por doenças oculares,
como o glaucoma ou a retinose pigmentar. Nesse caso, a pessoa vai
perdendo o campo periférico até que só lhe resta
a visão em tubo. Como conseqüência, perde a orientação
espacial e precisa realizar uma varredura maior no ambiente para reconhecê-lo
e localizar-se.
O critério de baixa visão segue esses três padrões
de reposta, que são diferenciados, porque dependem da alteração
da acuidade visual ou de outras funções como sensibilidade
ao contraste, percepção das cores e intolerância
à luminosidade.