Deficiência visual nos adultos

Drauzio – É normal
as pessoas começarem a perder a capacidade de enxergar os objetos
de perto ao redor dos 40 anos?
M. Aparecida Haddad – A partir dos quarenta
anos, ficam mais freqüentes os problemas de visão. Por
exemplo, a presbiopia, ou seja, a falta de foco para perto resultante
do enrijecimento do cristalino, lente interna do olho que passa por
um processo de esclerose, que fica menos flexível e não
consegue acomodar-se para ajustamento do foco.
Drauzio - Na velhice, a deficiência visual
ocorre obrigatoriamente?
M. Aparecida Haddad – A partir dos 60 anos,
a quantidade de problemas visuais aumenta muito. Poderíamos
dizer que, de zero a 50 anos, a deficiência ou os problemas
visuais acometem dez pessoas em cada mil. A partir dos 80 anos, estão
presentes em 230 pessoas em cada mil, por causa das doenças
degenerativas.
Drauzio – Quais são os problemas
visuais mais freqüentes nos idosos?
M. Aparecida Haddad – A catarata é um
deles. Atualmente, ela é passível de tratamento cirúrgico
e a pessoa recupera a visão. Mas, há outras doenças
oculares que não contam com os mesmos recursos terapêuticos
e a visão não volta ao normal. É o caso da degeneração
macular relacionada com a idade que faz com que a pessoa perca a visão
central e não consiga ler mesmo usando óculos para perto,
nem reconhecer os conhecidos que cruza nas ruas. Muitas vezes, a pessoa
precisa fazer movimentos de cabeça e de olhos para jogar a
imagem que vem do objeto sobre as áreas periféricas
da retina que não estão lesadas.
A partir dos 60 anos, a alteração da mácula é
a principal causa de baixa visão nos países desenvolvidos
e eu diria que no Brasil também.
Drauzio – Quais são os problemas
visuais que atingem os diabéticos?
M. Aparecida Haddad – Por causa das hemorragias
que lesam toda a retina, os diabéticos apresentam queda do
alcance visual e defeitos no campo de visão. Na retinopatia
diabética, a melhor profilaxia é a prevenção
para evitar que os casos cheguem aos extremos de descolamento de retina
ou à cegueira, quadros que acabam sendo irreversíveis.